Após uma das maiores gestoras do mundo, a BlackRock, anunciar que aumentou a sua participação no Inter, o banco mineiro é uma das principais altas do dia e ajuda o Ibovespa a percorrer mais um dia de avanço, em meio a um cenário também positivo de fluxo de investidores estrangeiros.
Por volta das 13h50, o Ibovespa subia 1,42%. O Inter (BIDI11) tinha a segunda maior valorização entre as companhias que fazem parte do índice, com alta de 6,67%, atrás apenas de Locaweb, que tinha avanço de 8,52%.
Na quarta-feira (26) à noite, o banco digital informou, por meio de fato relevante, que a BlackRock passou a deter 5,05% da companhia, uma demonstração de confiança no negócio da fintech, que tem passado por semanas consecutivas de volatilidade e de queda nos preços.
A ação da companhia, que chegou a valer mais de R$ 80 em julho do ano passado, tem sido negociada a menos de um terço disso, a R$ 25,68. Em meio às perdas, um dos principais acionistas da companhia, o fundo Ponta Sul, anunciou neste mês que estava reduzindo a sua posição, caindo de 11,79% para 3,94%.
Se o Ponta Sul, de Flávio Calp Gondim, perdeu a paciência com o banco da família Menin, a BlackRock, do lendário investidor Larry Fink, parece disposto a apostar na expansão da companhia.
Nesta quarta, o mercado também surfa um movimento positivo de investidores estrangeiros que tem ocorrido em 2021. Segundo dados do Banco Central (BC), os gringos já trouxeram US$ 25,446 bilhões em aplicações ao Brasil desde o início do ano. A entrada de recursos acontece tanto em compra de papéis negociados na bolsa quanto investimentos em fundos títulos de renda fixa. Esse movimento acontece após três anos de retiradas sequenciais.
Para André Rolha, líder de renda fixa e head de produtos de câmbio da Venice Investimentos, isso ocorre porque vários papéis negociados no Brasil ficaram baratos. “Enxergamos que o mercado global, mesmo com o aperto monetário pelo banco central norte-americano, está com apetite para ações com alto risco e buscando ativos baratos. Com isso, o Brasil começou a entrar no portfólio desses investidores”, comenta.
As boas performances das commodities também contribuem com o Ibovespa. Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), as empresas que mais negociam papéis na B3, apresentam altas. A mineradora sobe 0,56%, enquanto a estatal cresce 1,65%.
Ambas se beneficiam do aumento no preço global dos produtos que exportam. No caso da Petobras, o preço do barril de petróleo tipo Brent, a US$ 87, e os conflitos envolvendo Ucrânia, Rússia e Estados Unidos ajudam os papéis da companhia. A Vale segue impulsionada pela demanda chinesa no minério de ferro.
Dentre as quedas, destaque para a Arezzo (ARZZ3), que caía 3,53% às 13h50. Nesta quarta, a empresa anunciou que fará uma oferta subsequente de ações (follow-on) que pode levantar até R$ 830 milhões. O grupo quer aproveitar o bom momento do mercado brasileiro após a forte pressão sofrida pelo varejo.
O Goldman Sachs considera a movimentação positiva. Por meio de relatório publicado nesta quinta-feira, afirmam que “os novos recursos devem dar à empresa maior flexibilidade para perseguir seus planos de crescimento orgânico e potencial adicional inorgânico, em sua ambição de construir uma casa de marcas em calçados e vestuário”.
O banco reitera que sua recomendação é para comprar os papéis. A instituição enxerga um potencial de valorização de 38%, com preço-alvo de R$ 113. Segundo dados do TradeMap, cada papel é negociado por R$ 79,05.
Um dos poucos setores que caem nesta quarta é o de serviços médicos. Intermedica (GNDI3) cai 3,64% e Hapvida (HAPV3) recua 3,43%. As duas empresas estão em processo de fusão.
Mercados externos
O Ibovespa segue a movimentação das bolsas ao redor do mundo. Após a volatilidade que os mercados apresentaram depois do comunicado do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, o clima é de calmaria.
Nesta quarta (26), após o anúncio da decisão de manter os juros próximos de zero, a entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell, deixou claro que o ciclo de aumento na taxa básica americana deve começar a partir de março, e Powell não descartou a possibilidade de elevações em todas as reuniões do ano. Disse ainda que há espaço para subir os juros sem prejudicar o mercado de trabalho, e enfatizou as preocupações do Fed com a inflação persistente.
Se na quarta os mercados internacionais fecharam em queda, o movimento nesta quinta-feira é o oposto. Em Wall Street, os principais índices operavam no azul. Dow Jones estava em alta de 1,15%, o S&P 500 subia 0,96% e o Nasdaq apontava em 0,41% para cima.
André Rolha, da Venice, acredita que o comportamento do pós-Fed é positivo. “Parece que o investidor já está com mais propensão a tomar riscos, e o cenário das altas já era algo vislumbrado lá atrás. O Powell parece estar preocupado com a inflação, isso é um bom sinal. Mas acredito que ele chegou de forma tardia em comparação com outros países”, afirmou.
A Europa acompanha o movimento para cima. Dentre as principais bolsas do continente, o DAX, da Alemanha, subia 0,18%, enquanto o FTSE 100, de Londres, subia 1,16%. Já o EuroStoxx 50, que reúne empresas de toda a zona do euro, crescia 0,58%.