Depois de a brMalls (BRML3) recusar a proposta de fusão da Aliansce Sonae (ALSO3) na última sexta-feira, 14, a Aliansce afirmou, em fato relevante publicado na manhã desta segunda-feira, que “permanece determinada em demonstrar o mérito da combinação de negócios ao Conselho de Administração e aos acionistas da brMalls, certa de que tal operação é uma oportunidade única de geração de valor para os acionistas de ambas as companhias”.
Isso, segundo analistas consultados pela Agência TradeMap, indica que as negociações ainda estão na mesa e que a possibilidade de uma fusão não está descartada.
Os termos da proposta da Aliansce avaliavam a brMalls em R$ 6,79 bilhões, abaixo de seu preço de mercado, o que justificou a recusa da oferta.
Na ocasião, a brMalls afirmou também que o conselho de administração está “constantemente avaliando alternativas estratégicas que possam gerar valor para a companhia e seus acionistas”.
Na visão de Gustavo Caetano, analista do Banco Inter, “a continuidade da Aliansce Sonae nas negociações, bem como o último parágrafo intencionalmente colocado pela brMalls em seu fato relevante [mencionado no trecho acima], é um indicativo que a negativa dada pela companhia não é definitiva e só não foi aceita devido aos valores oferecidos”.
Com isso, a análise de Caetano é que uma fusão entre as duas companhias ainda é possível, caso uma nova proposta contemple algum prêmio na avaliação de mercado da brMalls.
Um aumento no valor da proposta, porém, não deve ser a primeira alternativa a ser utilizada pela Aliansce, na visão de Caetano — a companhia deve começar as negociações revendo os termos do negócio com a gestão da brMalls e iniciando conversas com seus acionistas. “Caso o avanço das negociações continue a esbarrar no preço, é provável que algum prêmio seja incluído na segunda proposta de fusão”, completa.
Nesse caso, a expectativa do analista é que as ações da brMalls se beneficiem às custas dos papéis da Aliansce Sonae.
Uma fusão entre as duas companhias, no entanto, seria benéfica para ambas, de acordo com os analistas consultados, com sinergias, ganhos operacionais e redução de gastos financeiros no horizonte.
Potencial para redução do endividamento
Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, menciona ainda a redução do endividamento da brMalls, cuja alavancagem hoje está em cerca de três vezes a dívida líquida/Ebitda, como um dos frutos positivos da operação.
A transação criaria o maior grupo operador de shoppings da América Latina, com Ebitda estimado de quase R$ 2 bilhões, segundo Crespi, o que faria com que a empresa competisse de igual para igual, do ponto de vista de vendas, com os maiores e-commerces do país.
Crespi aponta ainda os ganhos de governança com a diluição da base de acionistas da nova companhia, o que faria com que se tornasse uma corporate, ou seja, teria uma base acionária diversificada, sem acionistas controladores.
O mercado, porém, parece dividido em relação às expectativas para a ação da brMalls. Entre as instituições consultadas pelo Refinitiv, sete das 13 casas que cobrem a companhia recomendam compra para o papel, segundo levantamento disponível na plataforma do TradeMap, enquanto cinco têm posição neutra e uma indica venda.

A mediana das estimativas de preço-alvo é de R$ 11, o que representa alta de 30,8% em relação ao valor de fechamento desta segunda-feira.

Em meio às notícias, as ações da brMalls acumulam alta de 18,45% em uma semana, enquanto as da Aliansce Sonae sobem 7,6%. O papel da brMalls fechou o pregão desta segunda-feira em alta de 0,12%, cotado a R$ 8,41, enquanto o da Aliansce caiu 3,04%, a R$ 19,45.