O sentimento do mercado azedou de vez em novembro, e agora cerca de um terço dos gestores (31%) tem uma visão negativa para a Bolsa brasileira nos próximos três meses.
É o que mostra uma pesquisa do Itaú BBA com gestores de fundos. No levantamento anterior, de outubro, essa parcela mais pessimista era de apenas 1,7%.
De acordo com o banco, entre os 42 gestores ouvidos, apenas 38,1% continuam com uma visão positiva sobre o mercado de ações do Brasil para os próximos três meses, bem abaixo da fatia da pesquisa prévia, de 77,6%.
E mais no curto prazo, pouco mais de um terço dos gestores acredita que o Ibovespa vai cair mais até o fim de 2022.
Essa mudança de clima afetou também a previsão dos especialistas para o nível do Ibovespa. Embora a maioria avalie que o principal índice da B3 terminará este ano acima dos 110 mil pontos, 38,1% acreditam que a pontuação ficará abaixo disso.
Nesta quarta-feira, o Ibovespa negocia um pouco abaixo dos 112 mil pontos.
Segundo o Itaú BBA, os gestores consideram que os principais fatores a ditar a direção do mercado serão o movimento da curva de juros – que passou a embutir a possibilidade de alta nas taxas nos próximos meses -, a perspectiva para as contas públicas e os anúncios a respeito de quem estará no comando das políticas econômicas do próximo governo.
A inflação e as taxas de juros globais, que foram citados como fatores importantes em outubro, perderam relevância em novembro.
Os gestores disseram também que estão tomando decisões sobre investimentos com base na capacidade de geração de fluxo de caixa das empresas e em indicadores que mostram se as companhias estão caras ou baratas em termos históricos.
O setor de empresas prestadoras de serviços públicos é um dos preferidos dos gestores de fundos, com 78,6% deles alocando recursos nesse segmento, à espera de valorização das ações. Na sequência, aparecem grandes bancos (33,3%) e petróleo e gás (33,3%).