Sem grandes novidades, o Ibovespa opera no campo positivo pelo terceiro dia consecutivo, refletindo a alta das mineradoras e siderúrgicas, impulsionadas pela elevação do minério de ferro, além de dados de emprego nos Estados Unidos, que mostraram uma alta do salário médio por hora menor que a esperada em dezembro.
Dentre os componentes do principal índice da B3, a ação da CSN Mineração (CMIN3) subia 4,69% e liderava os ganhos, seguida por Qualicorp (QUAL3), que avançava 4,54% e CSN (CSNA3), que se valorizava 4,18%. Às 13h20, o Ibovespa tinha uma alta de 0,91% e operava aos 108.624 pontos.
O avanço das empresas ligadas ao minério não ficava só com a CSN e a CSN Mineração. A Vale (VALE3), ação de maior peso no índice, ganhava 1,64%, já a Usiminas (USIM5) apontava em 1,73% para cima.
Após um começo de semana dominado pela queda do minério de ferro, diante de preocupações persistentes com surtos de Covid-19 na China, a commodity voltou a subir nesta sexta-feira (6), amparada pela possibilidade de relaxamento por parte do país asiático ao setor imobiliário. Em Dalian, a tonelada do minério teve alta de 1,85%, cotado a US$ 124,65.
A sinalização é importante porque o setor é um dos grandes motores de crescimento chinês e essa iniciativa deve ajudar no aumento da demanda tanto do minério quanto do aço, uma vez que a construção utiliza e muito essas commodities.
Segundo a mídia chinesa, a expectativa é que o governo relaxe às restrições de empréstimos ao setor imobiliário, assim como fez no ano passado. Ontem, os reguladores estabeleceram um mecanismo de ajuste dinâmico nas taxas de hipotecas para compradores de casas pela primeira vez.
Em relatório, a XP destacou que os novos estímulos direcionados ao mercado imobiliário contribuem para um otimismo dos investidores, o que fez o índice Hang Seng, de Hong Kong, avançar 6,1% na semana, atingindo o maior patamar dos últimos seis meses.
Ainda dentre as altas, a unit da Taesa (TAEE11) subia 3,73% após a empresa anunciar a distribuição de R$ 460 milhões em dividendos para seus acionistas.
Por unit, o valor será de R$ 1,33. Por ação, seja preferencial (TAEE4) ou ordinária (TAEE3), cada acionista vai receber R$ 0,44.
Como não poderia deixar de ser, o mercado segue de olho na política, repercutindo um discurso mais “apaziguador” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais cedo, o presidente declarou a jornalistas, antes de participar de uma reunião ministerial, que é necessária uma boa relação com o Congresso Nacional.
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As baixas do pregão
Na ponta negativa, a ação da Hapvida (HAPV3) recuava 2,10% e estendia o movimento de perdas. Desde o primeiro pregão do ano, o papel acumula uma baixa de mais de 7%.
Na sequência das baixas, destaque para a Klabin (KLBN11) que acompanhava a queda da moeda americana e recuava 1,22%. Ao mesmo tempo, o dólar futuro recuava 1,9%, cotado a R$ 5,28.
Ademais, CPFL (CPFE3) caía 1,58%, EDP (ENBR3) recuava 0,82% e Copel (CPLE6) apontava em 0,65% para baixo.
Payroll mexeu com os mercados
Apesar da geração de vagas de trabalho nos Estados Unidos vir acima do esperado, a revisão para baixo do aumento de salários animou os investidores. Tanto é que os mercados em Wall Street operam em campo positivo no último pregão da semana.
Nesta tarde, Dow Jones ganhava 1,65%, S&P 500 subia 1,54% e o índice Nasdaq se valorizava 1,38%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 apontava em 1,09% para cima, já próximo do fechamento.
A economia dos EUA criou 223 mil vagas de trabalho em dezembro, de acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA nesta sexta-feira (6). O dado veio acima do previsto pelo consenso de mercado, que era da criação de 200 mil empregos no período, mas ficou abaixo dos números prévios revisados, de 256 mil novas vagas.
Já o salário médio por hora anual de dezembro ficou em 4,6%, abaixo dos 5% esperados pelo mercado e dos 4,8% revisados prévios.
“É um cenário que mostra que a atividade está indo bem, porque há aumento da contração, e é bom para a inflação porque o salário subiu pouco”, afirma Bruno Marques, gestor de fundos multimercados da XP Asset.
Na ata da última reunião do Fed (Federal Reserve), o banco central americano apontou que a manutenção de uma política monetária restritiva por um período prolongado seria necessária para promover maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de trabalho, que ainda está aquecido.
“O mercado de trabalho continua pujante, com a taxa de desemprego atingindo o menor nível desde o pós-guerra, e o Fed precisa que ela aumente para reduzir a pressão inflacionária”, diz Marques.