Ibovespa segue pessimismo global e cai; Braskem (BRKM5) dispara após nova investida da Apollo

Empresas ligadas aos juros recuavam acompanhando o movimento de alta na curva

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

No pregão desta terça-feira (11), que antecede o feriado de 12 de outubro no Brasil, a Bolsa brasileira anda em linha com seus pares internacionais e recua. No Ibovespa, empresas ligadas aos juros caem acompanhando o movimento de alta na curva. Além disso, ações ligadas ao minério de ferro recuam após uma baixa no preço da commodity.

Por volta das 13h25, o principal índice da B3 recuava 0,21% e operava aos 115.693 pontos. Na ponta negativa, Qualicorp (QUAL3) perdia 3,50%, Locaweb (LWSA3) caia 3,27%, CVC (CVCB3) tinha baixa de 3%, Hapvida (HAPV3) operava em queda de 3,21% e JBS (JBSS3) recuava 3,29%.

Mais cedo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro registrou queda de 0,29% na terceira deflação consecutiva, movimento que não acontecia desde o período entre julho e setembro de 1998, quando o país enfrentava uma recessão.

Contudo, o recuo do indicador veio menor do que o esperado pelo mercado. Analistas ouvidos pelo Broadcast, por exemplo, acreditavam em uma queda de 0,32%. Em julho, a queda foi de 0,68%, e em agosto, de 0,36%, o que mostra uma perda de ritmo do processo de deflação.

A divulgação mexeu com a curva de juros brasileira. De acordo com dados da plataforma do TradeMap, os contratos de DI com vencimento em 2024 operavam em alta de 8 pontos-base, a 12,78%, enquanto os contratos com vencimento em 2026 e 2028 avançavam 13 e 17 pontos-base, a 11,45% e 11,52%, respectivamente.

“A curva de juros voltou a abrir diante de um momento pessimista no curto prazo. É provável que os juros não caiam tão rápido quanto o mercado esperava, podendo começar a recuar, de forma gradual, a partir do meio de 2023″, avalia o hed de renda variável da SVN Investimentos, André Luzbel.

O recuo de 0,60% dos papéis da Vale (VALE3) também pressiona o Ibovespa, já que a empresa representa 15% de todas as negociações do índice. O movimento acompanha uma desvalorização do minério de ferro no mercado externo.

O contrato futuro da commodity recuou 2,50% em Dalian, na China, cotado a US$ 100,50 por tonelada. Um possível novo surto de Covid-19 no giante asiático estremeceu os mercados por lá.

Maiores altas do Ibovespa

Num dia de baixa para o Ibovespa, as ações da Braskem (BRKM5) vão no sentido contrário e disparam 18%. De acordo Luzbel, o movimento ocorre após rumores de que a gestora americana Apollo fez uma nova investida na companhia.

A informação veio do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo ele, a oferta da gestora, que seria de R$ 50 por ação, fecharia o capital da petroquímica na B3 e abriria na Bolsa de Nova York. 

A última proposta feita pela Apollo girava em torno de R$ 40, ou 25% menor que a suposta nova oferta. Vale ressaltar que atualmente, as ações da Braskem são negociadas por R$ 31,50.

Em agosto, o jornal Valor Econômico divulgou que a Braskem teria três interessados: BTG Pactual, a Unipar e a Apollo. Posteriormente, em setembro, surgiu o boato de que holding de investimentos J&F, dona da JBS (JBSS3), estaria avaliando fazer uma proposta para a compra da totalidade da Braskem. A companhia petroquímica negou qualquer negociação na ocasião.

Ademais, Raízen (RAIZ4) subia 5,65%, Rumo (RAIL3) ganhava 3,84% e Cosan (CSAN3) subia 3%. A última, vale ressaltar, chegou a acumular uma baixa de mais de 10% nos dois últimos pregões após anunciar que pretende comprar uma fatia da Vale.

A Cosan afirmou que pretende comprar 4,90% do total de ações ordinárias da mineradora por meio de uma combinação de investimentos diretos e operação de derivativos. Essa fatia representa aproximadamente R$ 17,7 bilhões, dado valor de mercado da Vale no fechamento de pregão da sexta-feira (7).

“O montante equivale a 56% do valor de mercado total da Cosan. Um desembolso de mais da metade do próprio valor da empresa é algo que assusta os investidores”, ressalta o analista CNPI da Agência TradeMap Sérgio Castro, em análise.

Bolsas internacionais

Os mercados globais operam no negativo nesta terça, ainda com um sentimento de aversão ao risco por parte dos investidores. O mercado opera em cautela enquanto monitora perspectivas mais contracionistas dos bancos centrais, que poderão resultar em desaceleração da atividade econômica global e pressionar os lucros das empresas.

Ontem, o CEO do banco J.P. Morgan, Jamie Dimon, afirmou esperar que os Estados Unidos entrem em uma recessão em até nove meses, além de prever uma queda de mais de 20% no S&P no futuro.

Na Europa, a guerra envolvendo Rússia e Ucrânia não parece ter um fim. Oficiais russos alegaram que a guerra poderá escalar significativamente, caso o ocidente continue dando suporte para o país.

No Velho Continente, já perto do fechamento, os mercados recuavam em bloco. Tanto o Euro Stoxx 50 quanto o DAX 30 perdiam 0,56%, enquanto o FTSE 100 recuava 0,95%.

Em Wall Street, o Nasdaq perdia 0,30% e o S&P 500 desvalorizava 0,11%. O Dow Jones, por sua vez, era a única exceção, subindo 0,62%.

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