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Ibovespa pondera risco fiscal e alta das commodities e encerra pregão em leve queda de 0,11%

Ibovespa pondera risco fiscal e alta das commodities e encerra pregão em leve queda de 0,11%

Investidores voltaram a temer descontrole dos gastos públicos após governo anunciar medida para controlar a alta dos combustíveis

Ilustração de gráfico de ações

Foto: Shutterstock

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Após uma sessão volátil, operando entre o negativo e o positivo, o Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (7) em leve queda de 0,11%, aos 110.069 pontos, com R$ 16,50 bilhões em volume negociado.

O desempenho faz com que o principal índice da B3 acumule uma queda de 1,15% em junho e registre uma alta de 5,01% desde o início do ano.

Durante todo o pregão, o Ibovespa operou dividido entre o avanço das commodities e o risco fiscal, que voltou ao radar dos investidores, após o governo anunciar corte de impostos para os combustíveis.

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A volatilidade também deu a tônica nos mercados globais. Após abrirem em queda com a surpresa negativa da alta dos juros na Austrália além do esperado, as bolsas americanas reverteram as perdas e encerram o dia no campo positivo.

Em Nova York, o Nasdaq teve alta de 0,94%, o S&P 500 subiu 0,95% e o Dow Jones avançou 0,8%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 600 fechou com queda de 1,24%.

Risco fiscal e juros pressionam

Em uma tentativa de reduzir os preços dos combustíveis, o governo Bolsonaro anunciou na noite desta segunda (7) que está disposto a compensar os estados se estes zerarem a cobrança de ICMS do diesel e do gás de cozinha.

A medida também inclui a retirada total do PIS/Cofins e do Cide (Contribuições de Intervenção de Domínio Econômico) – impostos de origem federal – da gasolina e do etanol.

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a medida teria custo fiscal entre R$ 25 bilhões e R$ 50 bilhões.

O projeto de lei que determina o teto de 17% para a incidência de impostos estaduais sobre itens essenciais, como combustíveis, energia elétrica e transporte público, já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas enfrenta forte resistência no Senado, tradicionalmente mais suscetível às pressões dos governadores.

O movimento ocorre a quatro meses da eleição e faz parte das tentativas do presidente Jair Bolsonaro de reduzir o preço dos combustíveis, um dos pontos mais sensíveis na sua busca por um novo mandato no Palácio do Planalto.

A estratégia, porém, não foi vista por bons olhos pelo mercado, que externou a sua insatisfação com a disparada do dólar e dos juros futuros.

Ainda na pauta de juros, os mercados ao redor do globo foram impactados na sessão desta terça com o temor de aumento das taxas além do inicialmente previsto.

O gatilho foi disparado pelo banco central da Austrália ao aumentar a taxa básica em 0,50 pontos-base, acima do projetado pelos analistas.

O resultado aumenta as expectativas pela divulgação da taxa de juros na zona do Euro pelo Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira (9). Atualmente, a taxa está no campo negativo, a despeito da crescente variação de preços nos países do bloco.

O risco de desaceleração da economia global em consequência dos apertos monetários penalizou os papéis com maior exposição às condições do crédito, como os de varejo e de tecnologia.

No Ibovespa, as perdas desta terça foram puxadas pela queda de 4,28% da Cielo (CIEL3), 4,14% do Grupo Soma (SOMA3) e 4,07% da Positivo (POSI3).

Commodities sobem e seguram bolsa

Apesar do risco fiscal, a proposta do governo federal para a pauta de combustíveis deve reduzir a pressão sobre a Petrobras para represar os reajustes, o que deve impactar diretamente no caixa da estatal.

O rali das ações ligadas a commodities também é puxado pela alta do barril de petróleo tipo Brent, que encerrou a sessão desta terça com alta de 0,89%, a US$ 120,57. O setor também é puxado pela valorização de 1,63% da tonelada do minério de ferro, negociada a US$ 140 no porto de Dalian, na China.

O contexto faz com que a Vale (VALE3) puxe os ganhos, com alta de 2,34%, seguida pela BR Malls (BRML3) e  Suzano (SUZB3), com 1,93% e 1,65%, respectivamente. A Petrobras (PETR4) liderou a lista boa parte do dia, mas perdeu espaço e fechou em alta de 1,19%.

Bitcoin

Se descolando do bom humor global, o mercado de criptoativos voltou a oscilar após os ganhos da véspera.

O Bitcoin (BTC) chegou a operar abaixo de US$ 29 mil durante a madrugada, mas recuperou parte do terreno durante o dia e voltou para a faixa de US$ 30 mil.

Por volta de 17h35, a maior cripto em capitalização do mercado registrava alta de 1% em 24 horas, a US$ 31.861, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

As altcoins, como são chamados os ativos além do BTC, também foram impactadas pela volatilidade. O Ethereum (ETH) registrava queda de 0,6%, enquanto a Solana (SOL) perdia 2,4%.

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