Diferentemente de seus pares estrangeiros, que ensaiaram leves avanços no fim do dia, o Ibovespa fechou o pregão desta segunda-feira (19) em forte alta de 2,33%, aos 111.823 pontos, impulsionado principalmente pelas ações de empresas ligadas ao minério de ferro e ao petróleo.
Com a alta de hoje, dia com R$ 20,31 bilhões em volume negociado, a valorização acumulada pelo índice no mês de setembro passou para 2,1%. Desde o início do ano, o Ibovespa soma ganhos de 6,68%.
O dia não foi tão positivo no exterior, apesar de as Bolsas americanas terem conseguido ensaiar leves altas. Em Nova York, o S&P 500 teve alta de 0,69%, o Dow Jones subiu 0,64% e o Nasdaq avançou 0,76%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,03%.
Cautela pré-Fed
Lá fora, os mercados caíram enquanto os investidores aguardam decisões de política monetária nos próximos dias, com atenção especial ao Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que delibera sobre uma nova alta na taxa de juros na quarta-feira (21).
As apostas são de um novo aumento de 0,75 p.p (ponto percentual) na taxa de juros americana, mas há quem fale em um ponto.
O aumento de juros age como um freio na economia – daí o medo de que as seguidas e intensas altas das taxas em países da Europa e nos Estados Unidos levem a uma recessão da economia global. Além disso, juros maiores em economias desenvolvidas tendem a direcionar capital para estas regiões, em detrimento de países emergentes como o Brasil, o que pode contribuir para a desvalorização do real e das ações por aqui.
A quarta-feira também será de decisão de política monetária no Brasil. As expectativas se dividem entre a manutenção da Selic no patamar atual, de 13,75%, e uma nova alta de 0,25 p.p, levando a taxa de juros a 14% ao ano.
Nesse cenário, os analistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus mantiveram a expectativa de encerramento da taxa básica em 2022 no atual patamar de 13,75%. Para 2023, as expectativas também ficaram congeladas em 11,25%.
Na quinta-feira (22), por sua vez, os bancos centrais da Inglaterra (BoE) e do Japão (BoJ) anunciam suas decisões sobre os juros.
Commodities sustentam o Ibovespa
Apesar de o mercado brasileiro também estar atendo ao Fed e ao Copom, a forte alta de ações ligadas ao petróleo e ao minério de ferro ajudaram o índice a fechar no positivo.
Depois de passar a manhã em baixa, o petróleo Brent mudou de direção e fechou com avanço de 0,71%, a US$ 92 por barril. Com isso, Petrobras PN (PETR4) teve alta de 1,59%, Petrobras ON (PETR3) subiu 1,19%, Prio (PRIO3) avançou 0,21% e 3R Petroleum (RRRP3) teve ganhos de 0,13%.
A Petrobras anunciou novamente um corte no preço do diesel, desta vez de 5,78% para as distribuidoras, passando de R$ 5,19 para R$ 4,89 por litro, ou uma redução de R$ 0,30.
Leia mais:
Para Goldman Sachs, Petrobras (PETR4) é boa opção mesmo com corte no preço de combustíveis
“Essa redução acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio”, diz o comunicado.
O destaque, porém, foram as ações ligadas ao minério de ferro, ignorando a cotação da commodity, que fechou o dia em queda de 1,4% na Bolsa de Dalian, a US$ 100,52 por tonelada.
O Banco do Povo da China (PBoC) anunciou que injetará 12 bilhões de iuanes na economia, a fim de manter um crescimento econômico no país. A iniciativa animou o setor de mineração já que a China é um grande atuante no mercado imobiliário, o que poderia aumentar a demanda por matérias-primas no país.
No setor, destaque para Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), com avanços de 5,88%, 5,74% e 5,23%, respectivamente.
Educação em destaque
Ainda que as ações de commodities tenham sido as maiores responsáveis pela valorização do Ibovespa, o destaque do dia foi para o setor de educação. No fechamento, as maiores altas do pregão eram de Yduqs (YDUQ3), Cogna (COGN3) e B3 (B3SA3), com ganhos de 14,1%, 9,77% e 6,79%, nesta ordem.
No sábado (17), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas eleitorais para a eleição deste ano, publicou em seu Twitter que, em um eventual novo governo, os programas de financiamento estudantil Prouni e FIES “voltarão com força”.
Outra alta forte foi de Azul (AZUL4), de 5,66%. A companhia aérea celebrou um contrato de fornecimento de produtos derivados de petróleo para aviação com a Raízen (RAIZ4). A ação da distribuidora de combustíveis saltou 4,43%.
Oi em baixa
Na outra ponta, os papéis que mais caíram foram os de Positivo (POSI3), Méliuz (CASH3) e Banco Pan (BPAN4), com perdas de 1,59%, 1,06% e 0,94%, respectivamente.
Fora do Ibovespa, a Oi (OIBR3) despencou 11,32%, após notícias de que Claro, Vivo (VIVT3) e Tim (TIMS3) fizeram contas sobre o valor final da compra dos ativos da Oi Móvel – o chamado “ajuste pós-fechamento” – e chegaram à conclusão de que pagaram R$ 3,2 bilhões a mais do que deveriam.
Veja análise:
Briga da Oi (OIBR3) com outras teles aumenta risco de insolvência e ameaça recuperação judicial
A Oi afirmou, em comunicado enviado ao mercado nesta segunda-feira, que “discorda veementemente” do valor cobrado pelas compradoras por entender que o cálculo do valor do ajuste apresenta “erros procedimentais e técnicos, havendo equívocos na metodologia, nos critérios, nas premissas e na abordagem adotados pelas compradoras e seu assessor econômico KPMG”.
Esse ajuste nos valores já estava previsto no contrato de venda dos ativos, e a Oi inclusive havia reservado dinheiro prevendo que ele poderia acontecer. Só que o valor provisionado foi de R$ 1,4 bilhão – ou pouco menos da metade do exigido pelos compradores.
Criptomoedas
Depois de operar em forte queda nas primeiras horas da manhã, o mercado cripto devolveu parte do prejuízo ao longo desta segunda-feira, mas permanece no campo negativo com os investidores à espera dos próximos rumos dos juros americanos, que serão divulgados na quarta.
O Bitcoin (BTC) chegou a bater a mínima de dois anos antes de se aproximar da faixa de US$ 19 mil. Por volta das 16h50, a maior cripto do mercado registrava queda de 2,7%, negociada a US$ 19.393, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
Seguindo o clima negativo observado após o processo de fusão, no último dia 15, o Ethereum (ETH) registrava recuo de 2,9%, vendido a US$ 1.349, conforme informações da Binance.
Mais do que o valor do aumento, os investidores aguardam pelo tom que o presidente do Fed, Jerome Powell, dará sobre o futuro dos juros na tentativa de conter a inflação.
Pesquisa do CME Group mostra que o mercado aposta em um novo aumento de 0,75 p.p no encontro de novembro e outra alta residual de 0,50 em dezembro, encerrando o ciclo ao redor de 4,25% e 4,50%.