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Ibovespa cai de olho nos EUA, mas Braskem (BRKM5) e Petrobras (PETR4) limitam queda

Ibovespa cai de olho nos EUA, mas Braskem (BRKM5) e Petrobras (PETR4) limitam queda

Cautela global após ata do Fed dá o tom nas bolsas pelo mundo incluindo a brasileira. Na ponta positiva, Braskem sobe após possível venda

Gráfico do mercado com moedas

Foto: Shutterstock

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Após três pregões de queda, o Ibovespa tenta subir puxado por Braskem (BRKM5) e Petrobras (PETR4) nesta quinta-feira (7), mas sofre pressão negativa da cautela que tomou conta dos mercados após o Federal Reserve, banco central americano, indicar que adotará medidas que podem prejudicar o crescimento econômico mundial.

Mais cedo, o Ibovespa chegou a anotar queda de quase 1% e, no início da tarde, devolveu parte das perdas e ficou mais perto da estabilidade. Às 13h10, o principal índice da B3 tinha uma baixa recuava 0,37% aos 117.786 pontos.

Ontem, o Federal Reserve divulgou na ata de sua reunião mais recente que a partir do mês que vem pode começar a desinchar o próprio balanço a um ritmo de quase US$ 100 bilhões por mês. Isso significa que o banco central começará a recolher o dinheiro que injetou no sistema financeiro nas últimas crises para amparar a economia. Ou seja: na prática, a medida deve desestimular o crescimento econômico.

Isso se soma à confirmação, também na ata, do que parte do mercado já vinha esperando – uma alta mais intensa dos juros básicos dos Estados Unidos nas próximas reuniões.

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Estes dois fatores afetaram os mercados em todo o mundo, inclusive o do Brasil, segundo a chefe de economia da Rico Investimentos, Rachel de Sá.

“Juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de investimentos por lá. Como somos um país de maior risco, podemos acabar perdendo fluxo para os que optarem por aplicações um pouco mais atrativas por lá, com menos risco”, comenta.

Ela acrescentou que a indicação dos caminhos da política monetária americana podem fazer o dólar se recuperar e retomar o patamar de R$ 4,70. Na visão dela, isso faz com que ações dos setores de consumo e tecnologia sofram na Bolsa.

Após ser negociada na faixa dos R$ 4,60 no início da semana, segundo dados da Plataforma TradeMap, a moeda americana era cotada por R$ 4,79 nesta quinta.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa eram registradas por IRB Brasil (IRBR3 -3,84%), seguida por MRV (MRVE3 –3,48%) e Gerdau (GGBR4 -3,40%).

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Além desses papéis, as ações ligadas a empresas de mineração e siderurgia apresentavam um recuo nesta tarde. O analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila atribui o movimento à queda nos preços do minério de ferro.

Na Bolsa de Dalian, na China, a commodity recuou 3,02% na comparação intradia. Agora, o produto é cotado a 900 iuanes por tonelada, o equivalente a US$ 141,43.

Braskem liderando as altas do dia

Na ponta positiva, quem disparava era Braskem (BRKM5), avançando 7,36% no mesmo horário. Para Régis Chinchila, a empresa apresenta essa performance após as notícias que a empresa está procurando um comprador para suas operações globais

Segundo o jornal Valor Econômico, a petroquímica recebeu uma proposta de R$ 13,6 bilhões da gestora americana Apollo Capital pela fatia da Novonor (antiga Odebrecht) na Braskem. A negociação é avaliada em R$ 44,57 por ação da empresa, e abrangeria os 38,3% da primeira sobre a segunda.

Além disso, o jornal afirma que a Unipar e a J&F, holding dos irmãos Wesley e Joesley Batista, também estão de olho na fatia da Novonor.

Para além destas, o Estadão apurou com fontes que acompanham o negócio que a transação não deve ter muitos competidores por conta do “tamanho do cheque estimado pela empresa, de cerca de R$ 40 bilhões”. Além da Apollo Capital, entre os nomes que estão analisando o negócio estão fundos como o Starboard e o Advent.

No meio desse imbróglio, a Braskem afirmou por meio de fato relevante divulgado na CVM (Comissão de Valores Imobiliários) na manhã desta quinta que “não é parte das eventuais discussões dos acionistas sobre vendas de participações acionárias”.

Na fila das maiores altas vinha a Petrobras, com suas ações preferenciais (PETR4) subindo 2,63% e as ordinárias (PETR3) crescendo 2,40%. Chinchila vê essa alta como uma “reação otimista ao anúncio de novos nomes para compor a presidência do conselho e da companhia”.

Na noite de quarta (6), a estatal confirmou a indicação feita pelo Ministério de Minas e Energia (MME) de José Mauro Ferreira Coelho para a presidência da companhia. Coelho é ex-diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), uma autarquia vinculada ao MME.

O governo também indicou Marcio Andrade Weber, que já faz parte do grupo de conselheiros, para presidir o conselho da estatal.

As incertezas em torno do comando da Petrobras começaram na segunda-feira, depois de Rodolfo Landim, indicação anterior à presidência do conselho, e Adriano Pires, indicado a presidente da estatal, terem desistido de suas nomeações alegando conflitos de interesse.

Bolsas do exterior também digerem ata do Fed

Os três principais índices acionários de Wall Street operavam em queda nesta quinta, enquanto os investidores avaliam a ata do Fed e os próximos passos do aperto monetário no país.

Além disso, mais cedo foi divulgado pelo Departamento de Trabalho americano o número de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

O número caiu em 5 mil solicitações na semana terminada em 2 de abril em relação ao período anterior, para 166 mil. O resultado veio abaixo dos 200 mil pedidos projetados pelo mercado. Veja como se comportavam os principais índices acionários americanos às 13h20:

  • Dow Jones: -0,60% 
  • S&P 500: -0,51%
  • Nasdaq: -0,87% 

Enquanto isso, na Europa, a guerra da Ucrânia continua, com cada vez menos expectativas de um acordo de paz entre o país e a Rússia, que sofrerá novas sanções econômicas após ter começado o conflito.  

Na mesma medida que em Wall Street, os índices acionários da Europa apresentavam recuos no pregão desta quinta-feira:

  • Euro Stoxx 50 (Zona do Euro): -0,21% 
  • DAX (Alemanha): -0,52%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,59% 

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