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Guerra na Ucrânia volta a assombrar mercados e Ibovespa cai pelo segundo pregão seguido

Guerra na Ucrânia volta a assombrar mercados e Ibovespa cai pelo segundo pregão seguido

Acompanhando os mercados internacionais, principal índice da Bolsa brasileira recuava cerca de 1%

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Foto: Shutterstock

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O conflito no Leste Europeu, que já dura mais de um mês, voltou a ficar mais acirrado nesta terça-feira (5) e trouxe uma onda de volatilidade em todos os mercados pelo mundo, incluindo a Bolsa brasileira.

Por aqui, o Ibovespa iniciou o pregão em queda, mas recuperou parte das perdas e chegou a apresentar uma alta de 0,29% mais cedo. Depois disso, o índice veio abaixo, sendo que às 13h15, apresentava uma desvalorização de 1%, operando aos 120.073 pontos.

Na visão de Marcelo Oliveira, analista da Quantzed, o Ibovespa está apresentando uma “correção lateral”, ou seja, está se estabilizando dos ganhos recentes, mas não está apresentando quedas tão fortes.  

A maior queda do dia era de Banco Inter (BIDI11), que recuava 6,29% no mesmo horário. Vale ressaltar que o setor bancário como um todo apresenta quedas no dia. Itaú Unibanco (ITUB4), uma das empresas que mais negocia papéis na B3, tinha uma desvalorização de 1,61%, ajudando a pressionar o índice.

Para Viviane Vieira, operadora de renda variável da B.Side Investimentos, o setor de bancos apresenta uma correção nesta terça, a chamada “realização de lucros”, ou seja, quando investidores entram no mercado para vender papéis que se valorizaram nos pregões anteriores.

Vieira ressalta ainda que o Inter acaba se prejudicando dentre os pares do setor por ser um papel que tem apresentado muita volatilidade nos últimos meses. De julho de 2021 para cá, as ações do banco mineiro acumulam uma desvalorização de mais de 74%, sendo muito impactado pela alta dos juros no Brasil.

Entenda mais sobre a queda do Banco Inter:
A queda livre do Inter (BIDI11) e o que esperar para o banco daqui para frente

Além dos bancos, o setor varejista apresenta recuos no dia, com Via (VIIA3) constando entre as principais baixas do pregão, recuando 4,23%. Vieira, da B.Side, atribui a queda pelo cenário macroeconômico brasileiro de juros e inflação altos, o que acabam impactando o poder de compra da população.

Contudo, ela observa que empresas do varejo mais voltadas para a alta renda acabam se prejudicando menos nesse processo. No pregão desta terça, por exemplo, Arezzo (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3), companhias que trabalham com um público de classes mais altas, valorizavam 0,42% e 0,45%, respectivamente, e descolavam do setor.

Maiores altas

A ação que mais subia no pregão era a de CVC (CVCB3), que valorizava 3,52% às 13h15. Segundo Viviane Vieira, a empresa se beneficia do momento de retomada econômica e arrefecimento das medidas de combate à pandemia.

“Acho que com a reabertura das atividades as pessoas estão mais interessadas em viagens. Com o fim do uso das máscaras e casos de Covid-19 mais controlados, essa demanda que estava reprimida começa a aparecer”, comenta a operadora de renda variável.

Ela diz ainda que a queda recente no dólar contribui para a performance positiva. Segundo dados da Plataforma TradeMap, a moeda americana era cotada a R$ 4,69, uma alta de 1,51% na comparação intradia, mas ainda longe dos patamares de mais de R$ 5 que figuravam desde o início da pandemia.

A valorização das ações ligadas ao setor de shoppings centers também é explicada pelo mesmo motivo. Multiplan (MULT3), por exemplo, figurava entre as principais subidas, com alta de 1,03%.

Outro setor que sobe em bloco era o de petróleo, com 3R Petroleum (RRRP3) crescendo 2,45% e liderando as maiores altas do segmento. Com as denúncias que surgiram sobre supostos ataques russos contra civis ucranianos, países da União Europeia, liderados pela França, ameaçaram instaurar novas sanções contra a Rússia.

A possível reação acende um alerta sobre uma possível alteração na cadeia de suprimentos da commodity pelo mundo, visto que o país de Vladimir Putin é um dos principais exportadores do produto. Às 13h15, o preço do petróleo tipo Brent – que serve como referência para o mercado internacional – era cotado a US$ 107 o barril.

Além disso, a 3R recebeu uma recomendação positiva da XP nesta terça. A corretora retomou sua cobertura na empresa recomendando compra dos papéis para os investidores ao vislumbrar que os campos recentes adquiridos por ela podem impulsionar seus resultados.

Mais cedo, a petrolífera divulgou um estudo elaborado pela consultoria independente DeGolyer and MacNaughton, que atestou que o Polo Potiguar, recém adquirido pela companhia, que possui uma capacidade provada de 169,7 milhões de barris de petróleo equivalente (boe).

Mercados externos em queda

As bolsas pelo mundo também apresentam uma queda no segundo pregão da semana. Em Wall Street, os três principais índices acionários repercutem as possíveis novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia.

Além disso, o investidor também está aguardando a ata do Comitê do Banco Central Americano (Fomc), que deve ser divulgada na quarta-feira (6) e deve indicar os próximos passos da política monetária por lá.

Veja como estavam os principais índices americanos às 13h15:

  • Dow Jones: -0,13% 
  • S&P 500: -0,55%
  • Nasdaq: -1,62%

Na Europa, o movimento não seguia uma direção única, e apenas o DAX, da Alemanha, apresentava queda:

  • Euro Stoxx 50 (Zona do Euro): +0,19% 
  • DAX (Alemanha): -0,65%
  • FTSE 100 (Inglaterra): +0,72%

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