Após registrar um prejuízo bilionário no segundo trimestre, devido à alta dos custos dos combustíveis, o sinal de alerta na Gol (GOLL4) está ligado, uma vez que a companhia é muito exposta a variação cambial e essa volatilidade vista nos últimos dias pode não ser agradável para os resultados futuros.
Às 14h29, o papel da empresa aérea era o segundo de maior queda no Ibovespa, recuando 4,98%, a R$ 8,58, segundo dados da plataforma do TradeMap.
A Gol reportou um prejuízo líquido de R$ 2,8 bilhões no segundo trimestre – quase três vezes maior que o esperado pelo BTG Pactual, que previa uma perda de R$ 1 bilhão.
O banco, porém, apontou que tanto a receita quanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Gol no segundo trimestre ficaram em linha com o previsto, mesmo em meio ao aumento nos preços dos combustíveis, que fez as despesas da companhia com o abastecimento das aeronaves consumirem 45% do faturamento.
O banco de investimentos disse que a revisão das projeções da Gol para 2022 é positivo, já que reflete despesas mais altas com combustível e o repasse de custos mais elevados para as tarifas.
“Acreditamos que os investidores devem prestar menos atenção aos resultados do segundo trimestre, uma vez que os números fracos já eram esperados em meio à alta dos preços dos combustíveis”, diz o relatório publicado pelos analistas Lucas Marquiori e Fernanda Recchia, do BTG.
Eles, no entanto, acreditam que daqui para frente o foco da Gol deve ser a gestão de liquidez e passivos; volumes de recuperação; dinâmica competitiva, preços de combustíveis e volatilidade cambial.
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O Goldman Sachs, por sua vez, vê o copo meio cheio, apoiado principalmente nas projeções revisadas da companhia para 2022.
Na visão do banco, o aumento da estimativa da Gol sobre a receita neste ano – de R$ 13,7 bilhões para R$ 15,4 bilhões devido ao repasse de tarifas – e o reconhecimento pela companhia de que os combustíveis ficaram mais caros, o que culminou na elevação da projeção da companhia para os preços destes produtos – de R$ 4,3 para R$ 5,7 por litro – são sinais positivos.
“A perspectiva de curto prazo permanece desafiadora devido aos preços mais altos do combustível de aviação, embora acreditemos que a longo prazo as companhias aéreas podem repassar esses preços mais altos para as tarifas”, explica os analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins.
Dentre 12 recomendações colhidas pela Refinitiv com instituições financeiras e disponíveis no TradeMap, cinco são de compra, quatro para manter o papel e três a venda. A mediana dos preços-alvo é de R$ 20 para a ação preferencial, o que representa uma valorização de mais de uma vez em relação ao fechamento de quarta-feira, que foi de R$ 9,03.