A despeito de a receita da Gol (GOLL4) ter triplicado no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta dos custos – sobretudo dos combustíveis – levou as contas para o vermelho e fez a companhia aérea registrar um prejuízo bilionário, conforme dados do balanço divulgado na manhã desta quinta-feira (28).
A receita da empresa somou R$ 3,24 bilhões no período, aumento de 215% ante abril e junho de 2021 (R$ 1,02 bilhão), impulsionado principalmente pelo avanço do transporte de passageiros, que cresceu 237,5%, enquanto o transporte de cargas e outros teve expansão menor, de 75%.
O desempenho positivo no faturamento, no entanto, foi superado pela alta de 86,7% dos custos, totalizando R$ 3,43 bilhões, ante R$ 1,83 bilhão no ano passado.
Diante deste contexto, a Gol registrou prejuízo de líquido de R$ 2,85 bilhões no segundo trimestre de 2022, revertendo o lucro de R$ 658 milhões registrado no mesmo período de 2021. Segundo a empresa, a piora foi motivada “principalmente” por variações cambiais (dólar) e monetárias (juros) do período.
Cerca de 60% dos custos de uma companhia aérea são atrelados ao dólar, em especial os combustíveis, sensíveis à variação do petróleo no mercado internacional.
Assim como no primeiro trimestre deste ano, o valor dos combustíveis trouxe o maior peso para os custos da companhia. Entre abril e junho, a Gol gastou R$ 1,44 bilhão para abastecer as aeronaves, um aumento de 285%, ou mais que três vezes, aos R$ 376,2 milhões despendidos no segundo trimestre de 2021.
Além disso, a dívida da empresa, exposta ao aumento dos juros no Brasil, cresceu 44,1% no segundo trimestre, para R$ 25,4 bilhões, em relação ao segundo trimestre do ano passado.
Com esse cenário, o resultado operacional (receita menos despesa) no segundo trimestre ficou negativo em 191,9 milhões, com margem negativa de 5,9%.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) da aérea brasileira fechou o período de abril a junho deste ano com um resultado positivo de R$ 439 milhões, em uma reversão ao resultado negativo de igual período do ano passado, de R$ 547,4 milhões.
O Ebitda, além de ter voltado ao positivo, superou as expectativas dos analistas do BTG Pactual e da XP, que esperavam ganhos de R$ 196 milhões e R$ 58 milhões, respectivamente.
A margem Ebitda também surpreendeu positivamente. O indicador saiu de 53,2% no campo negativo para 13,5% no campo positivo, acima das projeções de BTG e XP, que esperavam margens de 6% e 1,8%, respectivamente.
O resultado líquido da empresa, por outro lado, veio pior do que o esperado pelos analistas do mercado, que já haviam antecipado a reversão do lucro da companhia aérea devido ao aumento dos custos no segundo trimestre.
Em relatório divulgado no início de julho, o BTG Pactual estimava que a empresa iria reportar prejuízo de R$ 1 bilhão, com o balanço prejudicado especialmente pelo aumento do dólar devido à maioria dos custos das companhias aéreas estar baseado na moeda americana.
Apesar de prever balanço negativo, o BTG manteve a recomendação de compra nos papéis GOLL4 pela exposição da empresa às viagens domésticas e o patamar já bastante reduzido dos preços, que já perderam praticamente metade do seu valor neste ano.
Com tom ainda mais pessimista, a XP Investimentos publicou na semana passada um relatório com expectativa de resultados fracos para a companhia aérea no segundo trimestre e recomendação neutra dos papéis da empresa. A previsão dos analistas indicava prejuízo de 1,58 bilhão no período.
Indicadores operacionais
Os indicadores operacionais da empresa vieram com dados positivos no balanço. A oferta de assentos medida pela multiplicação de vagas em um avião pela distância percorrida (ASK) registrou aumento de 123,7% no segundo trimestre, enquanto a demanda, que calcula quantos passageiros de fato ocuparam o assento durante o trajeto (RPK), teve alta de 103%.
Já a receita unitária de passageiros por assentos/quilômetros oferecidos (PRASK) teve variação de 50,9%.
Gol prevê receita maior em 2022
A Gol aumentou a perspectiva da receita em 2022 de R$ 13,7 bilhões para R$ 15,4 bilhões com o movimento de repasse de tarifas.
Já o encarecimento dos combustíveis fez a companhia aérea revisar o preço do litro do combustível de R$ 4,3 para R$ 5,7.
Já a projeção para margem do Ebitda em 2022 foi reduzida de 24% para 20%, enquanto a margem do resultado operacional foi cortado de 10% para 8%.