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Expectativa por ata do Fed gera cautela nos mercados globais e na Bolsa brasileira

Expectativa por ata do Fed gera cautela nos mercados globais e na Bolsa brasileira

Possibilidade de aumentos sucessivos na taxa de juros nos Estados Unidos impactam ações ligadas ao comércio e tecnologia por aqui

Ilustração de gráfico com cotações de ações

Foto: Shutterstock

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As bolsas ao redor do mundo operam cautelosamente no pregão desta quarta-feira, assim como o Ibovespa, que por volta de 12h50 (de Brasília) operava em queda de 0,67%, aos 118.085 pontos. Caso essa desvalorização se confirme, será o terceiro dia seguido de baixa, fazendo o índice se descolar da faixa dos 120 mil pontos.

Tanto aqui quanto lá fora, a expectativa é pela ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) que será divulgada às 15h (de Brasília). A decisão de política monetária nos EUA impacta a Bolsa brasileira e o restante do mundo, já que além das parcerias comerciais, a maior economia mundial pode ser considerada um balizador para o crescimento mundial.

Há duas semanas, o Fed elevou os juros básicos americanos em 0,25 ponto, para o intervalo entre 0,25% a 0,50% ao ano. Analistas e os membros do colegiado indicam a possibilidade de aceleração do ritmo de aumento de juros para 0,5 ponto percentual (pp), como forma de combater a disparada da inflação global, que vem sendo pressionada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Para Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, o banco central americano deve aumentar a taxa em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, mas deve desacelerar o ritmo e continuar numa subida de 0,25 pp nos outros encontros. Com isso, ele vislumbra que a taxa de juros chegue a 2,75% por lá.

No quesito ações do Ibovespa, quem liderava as principais quedas do dia era o Banco Inter (BIDI11), que via seus papéis caírem 8,70%. Esse é o segundo dia que o banco mineiro figura na ponta mais abaixo do índice. No pregão de ontem, a instituição financeira desvalorizou 8,89%.

A alta nos juros prejudica empresas de tecnologia, como é o caso do Inter, uma vez que essas empresas precisam “tomar recursos” para crescer e, com os juros mais altos, esse investimento fica mais caro.

Na visão de Velloni, a subida dos juros causa mais inadimplência, o que acaba prejudicando os bancos mais focados em classes mais baixas, como é o caso do Inter.

Leia mais sobre o Banco Inter:
A queda livre do Inter (BIDI11) e o que esperar para o banco daqui para frente

Além do banco mineiro, seguiam a fila das principais quedas a Locaweb (LWSA3) que caía 9,15% e a CVC (CVCB3), que recuava 8,51%. A empresa de turismo apresenta a chamada “realização de lucros” nesta quarta, já que estava entre as principais altas no pregão de ontem.

Segundo o economista-chefe da Frente Corretora, a CVC se prejudica pelo cenário macroeconômico de inflação alta, o que acaba pesando no preço das passagens aéreas, prejudicando as vendas da companhia.

Altas do dia

Dentre as poucas altas do dia, a 3R Petroleum (RRRP3) puxava a fila e valorizava 1,38%, figurando no ranking de altas no segundo dia consecutivo. A petroleira foi a segunda maior subida do último pregão, crescendo 1,45%.

A 3R recebeu uma recomendação positiva da XP na terça-feira. A corretora retomou sua cobertura na empresa recomendando compra dos papéis ao vislumbrar que os campos recentes adquiridos podem impulsionar seus resultados.

Além disso, a empresa divulgou um estudo elaborado pela consultoria independente DeGolyer and MacNaughton, que atestou que o Polo Potiguar, recém adquirido pela companhia, que possui uma capacidade provada de 169,7 milhões de barris de petróleo equivalente (boe).

A segunda maior alta do dia ficava por conta da Vale (VALE3), que via seus papéis crescerem 1,21%. Mais cedo, a mineradora anunciou a venda dos ativos do Sistema Centro-Oeste para a J&F Mineração, controlada pela J&F Investimentos, por um montante de US$ 1,2 bilhão.

A empresa receberá cerca de US$ 150 milhões no fechamento da compra, além de transferir para a compradora as obrigações relacionadas aos contratos logísticos e todos os demais passivos existentes no conjunto de ativos.

Os ativos vendidos somaram US$ 110 milhões no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Vale em 2021. Além disso, os campos produziram 2,7 milhões de toneladas de minério de ferro e 200 mil toneladas de manganês no período.

Expectativa pela ata do Fed coloca cautela no exterior

Os principais mercados globais operam no negativo nesta quarta-feira, também esperando a divulgação da ata do Federal Reserve, que deverá dar pistas sobre os próximos passos da política monetária americana.

Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,81%, enquanto o S&P 500 se desvalorizava 1,28% e o Nasdaq Composto, apresentava uma queda de 2,48%.

Ainda nos EUA, a conselheira do Federal Reserve, Lael Brainard, deu uma declaração ontem dando suporte ao aumento da taxa de juros por lá, pontuando que a redução do balanço do banco central americano poderá começar já em maio.

No Velho Continente, os investidores continuam acompanhando os desdobramentos na guerra da Ucrânia, e monitoram possíveis novas sanções à Rússia.

Na Alemanha, o DAX recuava 2% e, na Inglaterra, o FTSE 100 apresentava uma queda de 0,56%. Enquanto isso, o Euro Stoxx 50, índice que reúne empresas de todo o continente europeu, caía 1,64%.

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