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Escassez de chips leva Unidas (LCAM3) a fechar 30 unidades (por enquanto)

Escassez de chips leva Unidas (LCAM3) a fechar 30 unidades (por enquanto)

Em 2021, o número de seminovos vendidos caiu 32,2% em relação a 2020

Unidas Divulgacao

Foto: divulgação

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Desde 2020, quando a pandemia teve início, as fabricantes de veículos têm sofrido com a falta de chips semicondutores, uma peça que compõe as partes eletrônicas dos carros, mas que ficou escassa em razão da maior demanda de outra indústria, a de eletrônicos, como celulares e notebooks, que cresceram em vendas por causa do isolamento social.

Inicialmente, o principal efeito foi sobre o mercado de carros novos, que passou a ter menos oferta aos consumidores, mas logo também se abateu sobre o mercado de seminovos, que, obviamente, depende do segmento de novos para fazer o negócio girar.

Não demorou para que o problema também chegasse às locadoras, que costumam revender os carros do negócio de aluguel que vão ficando “velhos”, um tipo de receita que, nos últimos anos, têm se tornado cada vez mais importante para o setor.

No início da pandemia, as montadoras chegaram a afirmar que o problema de oferta poderia ser resolvido ao longo de 2021, mas ainda havia muito incerteza sobre a duração da crise.

A incerteza, na verdade, ganhou um agravante. Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços das commodities dispararam, o que aumenta os custos das montadoras, elevando o preço final dos veículos para os consumidores.

Entre as locadoras, é certo que o desequilíbrio ainda continua.

A Unidas, um dos principais nomes do mercado, chegou a fechar 30 das suas lojas de revenda, porque a operação não valia mais a pena, segundo afirmou o CEO da companhia, Luis Fernando Porto, em teleconferência com analistas nesta terça-feira (22).

Fonte: Unidas

Com restrição para comprar carros novos, a empresa encerrou unidades em bairros onde a oferta disponível não estava de acordo com o público das localidades, após ter feito um estudo para identificar as regiões menos rentáveis.

Em 2021, o número de seminovos vendidos caiu 32,2% em relação a 2020. Em comparação a 2019, o tombo é de 19,49%.

Porto explicou que havia a expectativa de que o fornecimento de carros por parte das montadoras fosse normalizado no segundo semestre de 2021, mas já foram informados pelas fabricantes de que retomada não será tão forte quanto se imaginava, e ainda sem uma grande chance de que isso no primeiro semestre deste ano.

O executivo, contudo, afirmou que pretende reabrir as unidades ainda em 2022, caso a produção de carros se normalize. As montadoras, segundo o CEO, acreditam que a situação poderá se normalizar no fim do segundo trimestre.

Leia mais: Com a escassez de carros novos no mercado, qual é o cenário para as locadoras?

A Unidas, inclusive, conta com isso para reduzir a sua alavancagem. No quarto trimestre, a dívida bruta da empresa foi de R$ 10 bilhões, alta de 40% em relação a um ano antes.

No entanto, a empresa afirmou que o caixa disponível, de cerca de R$ 2,8 bilhões, é equivalente a 98% da dívida até 2024.

Embora o negócio de seminovos tenha sido altamente afetado no último trimestre, o preço médio da venda dos veículos bateu recorde, ao se elevar 40% em 2021, chegando a R$ 58,2 mil por carro, o que ajudou a manter a receita liquida anual apenas 5% menor em comparação a 2020.

Além disso, a empresa obteve bons resultados durante o ano de 2021, batendo recordes em receitas, quantidade total de frotas, número de diárias, entre outros.

A receita liquida no setor aluguel de carros (RAC), por exemplo, subiu 44,6% em comparação a 2020, atingindo R$ 1,4 bilhão. No quarto trimestre, foram R$ 428 milhões, aumento de 50,4% em relação ao quarto trimestre de 2020.

A empresa também se destacou ao terminar 2021 com uma frota total de 201 mil veículos, aumentando os investimentos líquidos em frotas em mais de 70% apenas no último trimestre.

Houve também um aumento significativo nas margens da empresa, dada a recuperação de crédito gerada pelo Pis/Cofins, o que resultou em uma margem Ebitda para o negócio de aluguel de carros de 62,9% no quarto trimestre, 19,4 pontos percentuais acima do nível verificado em igual período do ano anterior.

O lucro líquido da empresa foi mais um recorde. A Unidas atingiu a marca de R$ 1,01 bilhão no ano todo, crescimento de 153% em comparação a 2020. Também houve expansão no quarto trimestre, ao anotar R$ 276,9 milhões, alta de 40,5% ante o resultado do quarto trimestre de 2020.

Durante a teleconferência, a empresa foi questionada sobre a fusão com a Localiza (RENT3). O CEO, contudo, evitou entrar no assunto e respondeu que a Unidas continua com sua estratégia de crescimento e rentabilidade, independentemente do potencial da combinação de negócios.

E ressaltou que os próximos passos serão cumprir as exigências feitas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para concluir a transação, que envolve a venda de parte da sua frota para terceiros.

No mercado, é quase unânime a recomendação de compra da empresa. Dos 9 analistas compilados pela Refinitiv e apresentados na plataforma do TradeMap, oito recomendam a compra do papel, enquanto apenas um tem uma posição neutra.

As estimativas de preço-alvo apontam para uma mediana de R$ 32, uma valorização potencial de 25,64%. Nesta terça-feira (22), a ação fechou em alta de 3,26%, a R$ 25,36.

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