Eletrobras (ELET3): Preço atual da ação não considera privatização, diz BTG; papel pode subir 41%

Banco tem recomendação de compra para o papel e preço-alvo de R$ 62

Foto: Shutterstock

A privatização da Eletrobras (ELET3) tem potencial de destravar muito valor para a companhia, principalmente por meio de cortes de custos, gestão de passivos e créditos tributários e reprecificação de energia – e quase nada disso está sendo levado em conta no preço atual das ações, de acordo com o BTG Pactual.

Em relatório desta segunda-feira (11), os analistas João Pimentel e Gisele Gushiken retomam a cobertura do papel ordinário da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 62, o que corresponde a alta de 41% na comparação com o valor do fechamento da última sexta-feira (8), de R$ 43,95.

“Agora, a Eletrobras pode finalmente se libertar das ineficiências de operar como uma companhia estatal e começa a ser tocada mais como seus pares privados (e mais eficientes) de transmissão e geração”, diz o BTG, classificando a elétrica como uma de suas preferidas no setor.

Os analistas apontam que, ainda que o time de gestão da companhia tenha se esforçado para simplificar sua estrutura de capital, maximizar a eficiência e reduzir o endividamento nos últimos anos, “há um teto sobre o quanto pode ser feito em uma estatal”.

De onde vem o valor?

Assim, em primeiro lugar, o BTG acredita que a companhia irá colher ganhos de eficiência, fruto tanto da privatização em si quanto de escala e sinergias. Considerando que a companhia detém 25% da capacidade instalada de geração e 45% das linhas de transmissão do país, ela pode ter performance superior à de seus pares depois da reestruturação.

⇨ Quer conferir quais são as recomendações de analistas para as empresas da Bolsa? Inscreva-se no TradeMap!

Além disso, a companhia privatizada será capaz de reprecificar a energia. Com o fim do regime de cotas, a Eletrobras agora poderá comercializar sua energia livremente e sob condições melhores.

Outro ponto importante para a geração de valor será a redução de custos. Quando era estatal, a Eletrobras não podia desligar funcionários. Agora, a expectativa do banco é que o quadro de funcionários seja reduzido significativamente, levando a uma redução de 60% no opex ao longo dos três próximos anos.

Por fim, o BTG menciona ainda a gestão de passivos, principalmente no que diz respeito a empréstimos compulsórios. Na análise do banco, a companhia agora poderá fortalecer seu time jurídico e contratar assessoria externa, sem a burocracia e a limitação orçamentária de uma estatal. Em outra ponta, devido a prejuízos passados, a companhia acumulou créditos tributários massivos, que podem ser utilizados em uma reestruturação corporativa.

Dividendos ou investimentos?

Na visão do banco, o turnaroud deve ser bem-sucedido, considerando a base de acionistas boa e ativa e o time de gestão experiente. Como consequência, a Eletrobras deve ver um aumento em sua geração de fluxo de caixa livre, com a margem Ebitda avançando de 40% em 2021 para 69% em 2022 – o que, por sua vez, irá permitir a distribuição de bons dividendos ou mais investimentos.

A perspectiva do BTG é que, por estar em meio a um turnaround, não haja grandes aquisições no horizonte, de modo que a geração extra de valor deve se traduzir em dividendos. Considerando os preços atuais da ação, a projeção do banco é de dividend yield de 12% em 2023, 18% em 2024 e 22% em 2025.

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.