Com a Eletrobras (ELET3; ELET6) privatizada, analistas do Goldman Sachs projetam a empresa operando em níveis próximos a seus players privados, embora seja difícil comparar a empresa com qualquer outra do setor, uma vez que na geração, por exemplo, a ex-estatal é 2 vezes maior que algumas companhias juntas.
Diante disso, os analistas Pedro Manfredini, Flavia Sounis e Bruno Vidal acreditam que a única empresa do setor “comparável” a Eletrobras seria a Engie Brasil (EGIE3), devido ao seu perfil de fluxo de caixa semelhante à companhia no curto prazo.
Apesar de próximas, o Goldman prefere apostar na recém-privatizada Eletrobras. Para o banco, à medida que a Eletrobras entregue sua virada e alcance níveis operacionais próximos aos de seus pares privados, ela tende a diminuir as diferenças relação a outros players, principalmente na geração e transmissão.
“No entanto, reconhecemos que isso também pode levar tempo para se materializar. Em nossa opinião, o mercado provavelmente vai esperar para ver a Eletrobras entregar os primeiros passos desta reviravolta antes de levar à reclassificação da ação, que acreditamos que deve acontecer ao longo dos próximos meses ou anos”, explicam os analistas.
Leia também:
Eletrobras (ELET3): foco daqui para frente será no mercado livre e energia renovável, diz CEO
Para as despesas gerais e administrativas, o Goldman estima o prazo de 3 a 4 anos para a Eletrobras atingir uma economia anual de R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. “Esperamos que o fechamento dessa lacuna seja impulsionado por um aumento do Ebitda”.
Atualmente, o banco vê a taxa de retorno (TIR, na sigla em inglês) da Eletrobras negociando a 12%, o que é considerada mais atrativa, segundo o banco, já que uma geradora média sob sua cobertura negocia a 10,4% e uma transmissora a 7,7%, enquanto a Engie é negociada a 9%.
Por conta disso, no caso da Eletrobras, o Goldman recomenda compra das ações e, mesmo com a valorização de 40% nos papéis em 2022, vê espaço para mais. O banco possui preços-alvo de R$ 61 para o papel ordinário e R$ 67 para o preferencial, o que significa um upside de 35% e 40%, respectivamente.
Para a Engie, o banco tem recomendação de venda do papel e preço-alvo de R$ 44, o que representa uma valorização de mais de 13% em relação ao nível atual. Nesta sexta, na Bolsa, ELET3 caía 0,71%, ELET6 recuava 0,08% e os papéis da Engie apontavam em 1% para cima.