Os analistas do Itaú BBA adotaram uma postura mais conservadora em relação à Ecorodovias (ECOR3), empresa que atua na concessão de obras e serviços públicos e organização logísitica do transporte de carga.
Em um relatório enviado ao mercado nesta segunda-feira (5), o banco citou pontos que podem dificultar uma melhora dos indicadores financeiros da empresa e também das ações.
Em resposta, as ações da Ecorodovias amargam uma baixa nesta segunda, com um recuo de 5,56% às 12h, e figuram entre as principais quedas do pregão.
O primeiro ponto que preocupa o BBA é um possível “atraso” no fim do ciclo de alta de juros no Brasil. Desde que o aperto monetário começou, as ações da empresa já recuaram cerca de 65% na Bolsa.
A Selic, a taxa básica de juros, começou o movimento de alta no início do ano passado, quando estava em 2% em fevereiro de 2021, e já atinge os 13,75% ao ano atualmente.
Há uma expectativa no mercado de que a Selic volte a cair no ano que vem, mas as estimativas mais recentes apontam para uma redução menor. Antes, a projeção era de retração da Selic para 11,5% ao fim de 2023. Agora, espera-se uma diminuição para 11,75%.
A nova expectativa sobre os juros reflete o temor do mercado sobre a responsabilidade fiscal do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que trabalha para aprovar a PEC da Transição com quase R$ 200 bilhões fora do teto de gastos, a lei que limita o crescimento das despesas públicas, em 2023.
Outro ponto avaliado pelo banco é o alto nível de alavancagem, que mede o quanto as dívidas de uma empresa superam a geração de caixa. Quanto maior, naturalmente, pior. De acordo com o BBA, a alavancagem deve encerrar 2022 em 4,6 vezes. No final do ano passado, esse indicador estava em 3,4 vezes, segundo dados da plataforma do TradeMap.
Para os analistas, a alta alavancagem da Ecorodovias “deve persistir por algum tempo como o resultado do pagamento de outorga no ano que vem, além de investimentos para os próximos anos”. O banco espera uma alavancagem em 4,4 vezes em 2023 e 3,9 vezes em 2024.
Por fim, o BBA vê uma dificuldade no reequilíbrio econômico do Ecoporto Santos, subsidiária da empresa. No relatório, os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Luiz Capistrano afirmam que o contrato de concessão do Ecoporto tem um vencimento previsto para junho de 2023, já tendo sido negociado o reequilibrio econômico.
Contudo, esse reembolso seria financiado com o leilão do terminal de contêineres STS-10, que engloba a área do Ecoporto e faz parte do Complexo Portuário de Santos. O leilão, porém, pode ser adiado pelo novo governo.
O BBA tem recomendação market perform para a ação da empresa, o equivalente a uma posição neutra. O preço-alvo é de R$ 5,50 por papel, o que traria uma valorização de 15,74% em relação ao preço do último fechamento.