Os contratos de juros futuros e o dólar disparam nesta segunda-feira (12), com investidores reagindo negativamente a rumores de que Aloizio Mercadante (PT) está sendo cotado pelo próximo governo para assumir o comando da Petrobras ou do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O cenário internacional também joga contra os ativos brasileiros, dada a tensão do mercado antes da divulgação de dados da inflação americana e do anúncio de decisões sobre os juros previstos para os próximos dias.
Por volta das 13h15, as taxas dos contratos DI com vencimento em janeiro de 2024 subiam de 13,83% para 14,01%. O estresse é ainda maior nos papéis de longa duração. As opções com vencimento em janeiro de 2026 aumentavam de 12,95% para 13,26% enquanto os contratos para janeiro de 2028 aumentavam de 12,89% para 13,17%.
Na mesma hora, o contrato futuro do dólar com vencimento em janeiro registrava valorização de 2,02% ante o real, cotado a R$ 5,367.
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A alta volatilidade dos juros levou à suspensão das negociações dos papéis prefixados e indexados à inflação no Tesouro Direto.
O mercado foi retomado por volta das 11h50, com as opções pré negociadas com juros de até 13,4%, enquanto os Tesouro IPCA+ tinha taxa na média de 6,3%.
Rumores assustam o mercado
O novo pânico no mercado financeiro foi deflagrado por supostas decisões do próximo governo envolvendo a nomeação de Aloizio Mercadante, um dos coordenadores do governo de transição, para postos fundamentais da nova equipe econômica.
Segundo informações do jornal O Globo, o nome do ex-senador está entre os mais cotados para assumir o comando da Petrobras. Já matéria da Bloomberg afirma que Mercadante deve ser nomeado presidente do BNDES.
Assim como a nomeação de Fernando Haddad para o comando do Ministério da Fazenda, o nome de Mercadante enfrenta forte resistência dos investidores pelo seu perfil indicar a tendência de afrouxamento das regras fiscais para cumprir promessas de campanha do governo eleito.
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Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, pontua que o mercado deve manter esse clima de volatilidade mesmo após a confirmação dos nomes que devem auxiliar Haddad no comando da economia brasileira.
“Depois das nomeações, começam as medidas, isso também faz preço no mercado. Devemos nos preparar para um período de forte volatilidade”, explica.
Ainda na seara política, nesta tarde será realizada a cerimônia de diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, em evento marcado para as 14h no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cautela no cenário internacional
As pressões do mercado internacional também contribuem para o termo dos investidores nos ativos brasileiros. Esta semana é mercada pelas divulgações de novas taxas da inflação e de juros nos Estados Unidos e na Europa.
O CPI (índice de preços ao consumidor) de novembro será divulgado às 10h30 de amanhã – no final da semana passada, foi informado o PPI (índice de preços ao produtor), que mostrou avanço de 0,3%, acima do esperado pelo mercado.
Nesta quarta-feira (14), o Fed (banco central americano) deve anunciar o aumento de 0,50 p.p (ponto percentual) nos juros, indicando o início da suavização do ciclo de alta.
Mais do que o tamanho do aperto, investidores devem acompanhar o discurso que o presidente da entidade, Jerome Powell, fará sobre os próximos rumos da política de restrições.
Na quinta (15), é a vez de o BoE (Banco da Inglaterra) e o BCE (Banco Central Europeu) divulgarem as novas taxas do Reino Unido e da zona do euro.