CVC (CVCB3) terá 2 trimestres seguidos de expansão, mas demanda pode esbarrar em renda; ações despencam

Empresa tem sido impulsionada pela demanda reprimida da pandemia, mas avanço pode esbarrar em aperto na renda dos brasileiros

Foto: Divulgação

Com a diminuição do número de mortes causadas pela Covid-19 e o aumento da vacinação, a CVC, principal operadora de turismo do Brasil, deverá ter em 2022, pela primeira vez desde o início da pandemia, dois trimestres seguidos de expansão da demanda, após quase dois anos de restrições mais duras nas viagens.

A previsão foi feita na tarde desta quarta-feira (11) pelo CEO da companhia, Leonel Andrade, durante teleconferência com analistas.

Segundo ele, embora os meses de janeiro e fevereiro tenham sido prejudicados pela disseminação da Ômicron, a variante mais recente do novo coronavírus, março teve um resultado “robusto”, já refletindo uma nova desaceleração dos óbitos causados pela Covid-19.

“Março foi o nosso melhor mês desde o início da pandemia e abril também tem ido bem. Devemos ter, pela primeira vez desde o início da pandemia, dois trimestres seguidos de crescimento”, afirmou o executivo.

No primeiro trimestre, as reservas confirmadas somaram R$ 2,8 bilhões, alta de 110,5% ante igual intervalo de 2021. As reservas consumidas, por sua vez, tiveram aumento de 117,8% no trimestre na base anual, para R$ 3 bilhões.

Segundo o CFO da CVC, Marcelo Kopel, só o mês de março representou 42% das vendas do primeiro trimestre. “Isso se deve à flexibilização das medidas de restrição, à abertura de fronteiras nos países que são nossos maiores destinos e ao aumento da vacinação ao redor do mundo”, ressaltou.

De acordo com Andrade, a expectativa para o restante também é positiva. Após ter segurado os investimentos em publicidade durante a pandemia, a empresa tem voltado a ter iniciativas do gênero. Em março, deu início a uma campanha pelos 50 anos da empresa, estrelada pela cantora Ivete Sangalo.

“A campanha vai até o fim do ano e os primeiros resultados, nos primeiros dias, são animadores”, disse o CEO, que lembrou que as viagens corporativas também têm mostrado expansão.

No primeiro trimestre, as reservas confirmadas para viagens corporativas no Brasil (B2B) cresceram 139,1% em relação a igual período do ano passado, quatro vezes o ritmo de expansão das reservas confirmadas para o consumidor pessoa física, que tiveram alta de 34,2%.

Como consequência, as viagens corporativas passaram a ter uma relevância maior nas reservas confirmadas no Brasil, ao somarem R$ 1,2 bilhão, contra R$ 936 milhões para a pessoa física. No primeiro trimestre do ano passado, a pessoa física foi maioria, com R$ 690,6 milhões, ante R$ 517 milhões do nicho corporativo.

Apesar da recuperação vista no início do ano, a CVC ainda opera a níveis inferiores ao patamar de antes da crise causada pela pandemia. As reservas confirmadas do primeiro trimestre de 2022 representam apenas 54% do volume registrado no primeiro trimestre de 2019.

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No primeiro trimestre, a companhia mais do que dobrou o prejuízo líquido. As perdas chegaram a R$ 166,8 milhões nos primeiros três meses de 2022, 104,7% maiores do que as registradas no mesmo período do ano passado.

Ainda que o mercado já esperasse prejuízo, as perdas anotadas pela CVC ficaram 46,3% acima da projeção do Bank of America (BofA), que esperava R$ 104 milhões de prejuízo, e 91,7% acima da estimativa do BTG Pactual, de perda de R$ 87 milhões.

O aumento do prejuízo, segundo a companhia, foi resultado da baixa de créditos tributários, após a empresa ter se adaptado à nova Lei Perse. A baixa teve efeito negativo de R$ 62,1 milhões e, de acordo com a empresa, não deve se repetir nos próximos trimestres do ano.

Riscos para retomada

Segundo o CEO, embora a CVC esteja em um processo de retomada das vendas após os estragos causados pela pandemia, a conjuntura macroeconômica, de juros e inflação em alta, pode frear o avanço.

O executivo ressaltou que o ambiente de economia estagnada, com Selic a 12,75% ao ano e inflação em 12 meses a 12%, gera um aperto na renda disponível dos consumidores, o que pode diminuir a demanda por viagens.

“Com o arrefecimento da pandemia, observamos que as pessoas estão matando a saudade de viajar, mas, lá na frente, o cenário econômico pode começar a ter impacto”, disse Andrade.

De acordo com o executivo, o que a empresa tem procurado fazer é adequar os produtos à realidade dos clientes. “Não acreditamos que uma pessoa vai deixar de viajar porque a viagem está cara, se nós adaptarmos o produto. Uma viagem de dez dias, por exemplo, pode virar uma viagem de seis dias”.

Por volta das 15h, as ações da CVC estavam entre as maiores quedas do dia. O papel recuava 5,05%, a R$ 11,29.

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