Copel (CPLE6) avança mais rápido do que o previsto em plano de privatização; ação salta mais de 21%

Se confirmado, plano tem potencial de destravar valor significativo para a companhia, dizem analistas

Foto: Shutterstock/T. Schneider

A intenção do governo do Paraná de realizar uma oferta de ações da companhia estatal de energia Copel (CPLE6), comunicada pela empresa na manhã desta segunda-feira (21), foi bem recebida pelo mercado, que vê potencial de geração de valor, e surpreendeu em termos de rapidez, fazendo a ação disparar.

Por volta das 14h15 desta segunda, no pregão seguinte ao anúncio, a ação da companhia saltava 21,51%, negociada a R$ 8,70.

No comunicado, a Copel informou que recebeu do governo do Paraná os resultados de estudos anunciados no dia 3 de novembro.

“Eu diria que acabou sendo uma grande surpresa, principalmente a agilidade com que esse plano de privatização foi comunicado pelo governo do estado”, diz Érico Sganzerla, gestor de ações da 4Um Investimentos. Segundo ele, o mercado já sabia, há alguns dias, que a empresa estava planejando alguma mudança – mas a expectativa não era que algo ocorresse tão cedo.

Para Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, o principal ponto por trás da disparada das ações no pregão de hoje é justamente a confirmação da intenção do governo do Paraná de avançar em um processo de privatização.

Além disso, aponta Sganzerla, havia dúvidas em relação ao formato da oferta. Segundo a companhia, o governo pretende realizar uma oferta de ações que não seria acompanhada pelo estado, que permaneceria com 15% do capital social total da empresa, sendo 10% do capital com direito a voto. Hoje, o estado detém 69,6% das ações ordinárias da Copel.

Antes do anúncio, porém, o mercado enxergava também as possibilidades de uma venda de ações sem que o governo abrisse mão do controle ou a venda total das ações para alguns players específicos.

“Foi decidido seguir um plano parecido com o da Eletrobras, que basicamente torna a Copel uma corporation, sem controlador definido”, assinala Sganzerla, que vê a estrutura corporativa proposta como benéfica para a empresa, uma vez que limita o poder de voto de um acionista individual, como o estado, ou de um grupo de acionistas em até 10%.

Na avaliação de Arbetman, o fato de não só o estado mas qualquer acionista ter seu poder de voto limitado é positivo, pois garante que o capital da empresa siga pulverizado no futuro.

Copel mais distante de ser empresa estatal

O gestor da 4Um aponta ainda que, com esse modelo, a companhia deixa de ser uma estatal e, com isso, perde uma série de amarras em relação a, por exemplo, gestão de custos, contratação de fornecedores e leilões. “A estrutura deixa a empresa muito mais ágil para competir de igual para igual com empresas privadas”, resume Sganzerla.

Por fim, a privatização da companhia também eliminaria riscos inerentes a empresas controladas pelo estado, que têm suas gestões muito ligadas ao governo em exercício. “A empresa tem sido muito bem tocada desde a eleição da última administração, em 2019. Mas, como estatal, acaba muito ligada a quem está comandando o estado, e sempre há um risco”, afirma Sganzerla.

Valorização potencial de Copel

E justamente por conta desses riscos, e das limitações impostas pelo controle governamental, empresas privadas são tipicamente negociadas a múltiplos maiores do que as estatais – o que significa que, caso o plano seja de fato implementado, há espaço para uma valorização significativa das ações da Copel, na avalição de Sganzerla.

Nesse sentido, Arbetman lembra ainda que a execução do plano traria mais liquidez para as ações da companhia. O analista ressalta, porém, que o plano depende de alguns pontos para ser executado, como as aprovações da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas do estado do Paraná.

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