Após a forte reação negativa do mercado ontem ao texto da PEC de Transição, que prevê a abertura de até R$ 200 bilhões fora do teto no Orçamento, a expectativa dos investidores nesta sexta (18) fica por conta da movimentação do Congresso, que sinalizou que deve desidratar a proposta que será efetivamente aprovada.
Segundo informações da CNN Brasil, os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, vem debatendo alterações na PEC que poderiam reduzir drasticamente o impacto fiscal final – dos R$ 198 bilhões, a abertura de espaço no Orçamento cairia a R$ 80 bilhões.
Os líderes da casa também teriam a intenção de limitar o waiver (licença para gastar) para no máximo dois anos – o PT (Partido dos Trabalhadores) queria que os benefícios fossem tirados do teto de forma permanente, mas concordaria com quatro anos.
Ontem, a reação contrária ao texto proposto para a PEC, considerado como um início “desastroso” do novo governo por economistas, incluiu uma carta enviada por nomes de peso como Arminio Fraga, Pedro Malan e Edmar Bacha ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. A mensagem rebate as críticas de Lula a mecanismos de controle de gastos e aponta os impactos da irresponsabilidade fiscal sobre os mais pobres.
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Ontem, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, deu entrevistas a jornalistas classificando a reação dos investidores à PEC como “momentânea”, e disse que o novo governo discutirá uma nova âncora fiscal para substituir o teto de gastos.
“Não há razão para estresse. O presidente Lula sempre teve responsabilidade fiscal”, disse, declarando ainda que o novo governo pretende cortar gastos e fazer a reforma tributária.
Por que isso importa?
Quando o risco de descontrole das contas públicas de um país se eleva, investidores passam a pedir taxas de juros maiores lá na frente para comprar seus títulos públicos – ou, de forma mais simples, para emprestar dinheiro ao governo. Isso tende a reduzir o valor das ações de empresas negociadas em Bolsa e a desvalorizar o real.
Futuros americanos e bolsas europeias em alta
Lá fora, os mercados gringos operam em alta, com destaque para as bolsas europeias, que se recuperam após a divulgação de dados melhores do que o projetado para analistas de vendas no varejo e confiança do consumidor no Reino Unido.
Por volta das 8h20, os índices futuros dos EUA operavam em alta: o Dow Jones subia 0,41%, o S&P 500 avançava 0,61% e o Nasdaq ganhava 0,80%. No mesmo horário, o índice europeu Euro Stoxx 50 operava em alta de 1,35%.