Depois de fechar o último pregão em alta, o Ibovespa subiu mais uma vez, sustentado pelas commodities, que subiram diante de sinais de que um cessar-fogo na guerra na Ucrânia está mais distante do que se pensava.
O principal índice da Bolsa de valores brasileira fechou em alta de 1,77%, aos 113.076 pontos, com R$ 28,4 bilhões em volume negociado. No ano até aqui, o saldo é de alta de 7,87%, enquanto o acumulado desde o início de março é de queda de 0,06%.
A performance do Ibovespa seguiu a tendência do exterior. Em Nova York, o Dow Jones teve alta de 1,22%, o S&P 500 subiu 1,23% e o Nasdaq teve ganhos de 1,33%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve baixa de 0,11%.
Guerra deve se estender
Na quarta-feira (16), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que as negociações de cessar-fogo com a Rússia estavam “mais realistas”, enquanto o ministro de relações exteriores russo, Sergei Lavrov, disse haver “alguma esperança” de acordo.
O mercado, porém, está esperando um avanço concreto nas conversas há semanas e, embora os dois países estejam indicando a possibilidade de interrupção do conflito, a guerra continua. As notícias mais recentes sobre o conflito apontam que a Rússia bombardeou um teatro que abrigava centenas de civis na cidade ucraniana de Mariupol e está avançando em direção a Kiev, a capital da Ucrânia.
Além da situação da guerra, os preços do petróleo foram ajudados por uma declaração da Agência Internacional de Energia (AIE) dizendo que os mercados podem perder três milhões de barris por dia de petróleo e derivados da Rússia a partir de abril – ou seja, a demanda pode ficar acima da oferta por um período maior que o inicialmente esperado.
Apesar da alta de 8,79% do petróleo, a Petrobras fechou em baixa de 2,66% em meio a temores de uma interferência política na estatal. PetroRio (PRIO3), porém, teve a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 8,16%, e 3R Petroleum (RRRP3) subiu 4,56%.
A Vale (VALE3) pegou carona no minério de ferro, que teve alta de 4,65%, e subiu 3,48%, de olho em medidas de estímulo na China. A CSN (CSNA3), que ficou na terceira posição entre os principais ganhos do índice, subiu 7,95% pelo mesmo motivo.
Política monetária segue repercutindo
O mercado também repercutiu a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que decidiu elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 11,75% ao ano, na noite de ontem.
Na avaliação de parte dos economistas ouvidos pela Agência TradeMap, o comunicado da decisão sinalizou que o colegiado trabalha com a hipótese de encerrar o atual ciclo de aperto monetário já na próxima reunião, em maio.
Eles ponderam, entretanto, que, nos próximos meses, as projeções para a inflação de 2023, que é o cenário que está no horizonte do BC, podem estar ainda mais altas, levando o Copom a elevar novamente a taxa em junho.
Outro evento que segue em foco é a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) de elevar os juros americanos em 0,25 ponto percentual, a um intervalo entre 0,25% e 0,50%, a primeira alta desde dezembro de 2018.
Em entrevista coletiva após o anúncio da decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que a autoridade monetária dos EUA poderá subir os juros mais rapidamente se necessário. Afirmou ainda que o balanço do Federal Reserve começará a ser reduzido na próxima reunião, e que haverá aumento de juros em todas as seis reuniões de 2022.
Além disso, o Fomc elevou suas expectativas para a inflação neste ano, de 2,6% para 4,3%, e revisou sua projeção para o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, por causa da invasão da Ucrânia pela Rússia e das sanções que se seguiram, de 4% para 2,8%.
Por aqui, além do Copom, repercutiu o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que, com o mau desempenho da indústria e dos serviços, mostrou uma queda de 0,99% em janeiro em relação a dezembro. A contração foi bem maior do que a esperada: a mediana dos especialistas ouvidos pela Reuters projetava uma redução de 0,25%.
Destaques do pregão
No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de PetroRio, Magazine Luiza (MGLU3), que subiu 7,99%, e CSN. Na ponta oposta, as principais quedas eram de MRV (MRVE3), Yduqs (YDUQ3) e Petrobras (PETR4), de 4,89%, 3,60% e 2,66%, respectivamente.
O tombo da MRV veio depois de a companhia divulgar que registrou lucro líquido ajustado de R$ 322 milhões no quarto trimestre, crescimento de 64,1% ante o mesmo período do ano anterior. As margens, porém, vieram abaixo do esperado pelo mercado, pressionadas pela queda do dólar.
A Yduqs caiu ainda repercutindo os resultados fracos do balanço e a renuncio de seu CFO, que já pesaram sobre as ações no último pregão.
A brMalls (BRML3), por sua vez, fechou em baixa de 1,49% após afirmar que seu conselho de administração avaliará os termos e condições da nova proposta da Aliansce Sonae (ALSO3), que teve baixa de 0,15%.
A Aliansce vem tentando adquirir a empresa desde o fim do ano passado. Desta vez, vai oferecer pagamento em dinheiro de R$ 1,850 bilhão e 276 milhões de ações da Aliansce.
Na outra ponta, o Banco Inter (BIDI11) teve alta de 6,36%. Na visão da Genial Investimentos, as units do banco, que em julho do ano passado chegaram a valer mais de R$ 86, operam atualmente a um valor 80% menor e estão em um nível de preço que justifica a compra dos papéis.