Com exterior e balanços corporativos, Bolsa cai 0,58%; Hypera (HYPE3) lidera as perdas

Além disso, os investidores aproveitam o último pregão antes do Carnaval para se protegerem

Foto: Shutterstock/rafapress

O Ibovespa opera em queda no último pregão que antecede o Carnaval, num movimento em linha com os pares internacionais, refletindo a divulgação de dados americanos, balanços corporativos e a proteção dos investidores.

Lembrando que a Bolsa brasileira ficará fechada na segunda-feira (20) e terça-feira (21), devido a emenda do Carnaval, retornando os negócios na quarta-feira (22) de Cinzas, às 13h.

Por volta de 13h35, o principal índice da B3 caía 0,60% e operava aos 109.288 pontos.

Para Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o Ibovespa acompanha a tendência de queda global, diante da paralisação do pregão no Brasil e nos Estados Unidos, no dia 20, devido ao feriado do Dia dos Presidentes.

“Esses feriados reduzem a liquidez de negociações. Para evitar ‘dormir comprado’, os investidores ajustam posições até os mercados voltarem a funcionar”, diz.

As baixas da Bolsa

Dentre as empresas, o papel da Hypera (HYPE3) liderava as perdas com uma baixa de 4,64%. A fabricante de medicamentos divulgou seu balanço do quarto trimestre na noite de quinta e, apesar de registrar um lucro líquido de R$ 431,7 milhões no quarto trimestre, montante 18% superior ao visto no período equivalente em 2021, teve indicadores pressionados no período.

O resultado financeiro da Hypera ficou negativo em R$ 255 milhões no trimestre e R$ 871,6 milhões em 2022, resultado quase três vezes maior do que o visto no final de 2021.

“Essa variação é resultado do aumento das despesas com juros no período, consequência do maior endividamento bruto da companhia, decorrente principalmente das emissões de debêntures para o pagamento pelas aquisições recentes e do aumento da taxa Selic”, ressaltou a Hypera.

Em relatório, Rafael Barros e Raphael Elage, analistas da XP, citam que a empresa viu um aumento em despesas administrativas e perdas em pesquisa e desenvolvimento, o que prejudicou a expansão da margem. A margem bruta diminuiu 0,3 p.p. na comparação anual, para 62,3%.

A ação de mais peso no índice, a Vale (VALE3), recuava 0,51% e ajudava a pressionar o Ibovespa. A mineradora também divulgou os números do trimestre na noite de ontem.

No período, o lucro líquido somou US$ 3,72 bilhões, uma queda tanto na base anual como trimestral, de 30,4% e 16,4%, respectivamente. No período, a empresa registrou um Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado proforma de US$ 5 bilhões, uma queda de 27% na base anual.

Para Vitorio Galindo, head de análise fundamentalista da Quantzed, o balanço da mineradora foi neutro, ressaltou o fluxo de caixa livre como um ponto negativo. Segundo a Vale, o fluxo de caixa livre das operações, atingiu US$ 5,7 bilhões no acumulado do ano passado, o que representa uma baixa de 71,5%.

“Apesar do Ebitda forte, quando olhamos para o fluxo de caixa, praticamente não ‘sobrou dinheiro’. O mercado deve estar olhando mais para a frente, se a Vale vai conseguir reduzir custos e aumentar a produção”, avalia Galindo.

Ademais, Méliuz (CASH3) perdia 4,26%, Pão de Açúcar (PCAR3) caía 3%, Prio (PRIO3) se desvalorizava 3% e CVC (CVCB3) apontava em 2,97% para baixo.

Altas da Bolsa

Por outro lado, o papel do Grupo Soma (SOMA3) subia 2,07%, a Vivo (VIVT3) ganhava 1,63% e a Rumo (RAIL3) apontava em 1,95% para cima.

Tanto a Vivo quanto a Rumo estendem os movimentos de ganhos vistos na véspera, após a divulgação dos balanços trimestrais.

A companhia de logística anotou um lucro líquido de R$ 243 milhões no quarto trimestre de 2022, revertendo o prejuízo de R$ 384 milhões apresentado no mesmo trimestre em 2021.

Segundo a empresa, a conclusão da venda da EPSA (Elevações Portuárias), que opera e controla alguns terminais no porto de Santos, em São Paulo, e uma melhora operacional impulsionaram o resultado.

Já a Vivo teve um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre de 2022, o que equivale a um recuo de 57,2% na comparação. Apesar disso, a companhia anunciou as datas em que irá pagar dividendos e JCP (juros sobre capital próprio) aos seus acionistas.

Caso o cenário proposto se confirme, a Vivo pagará, ao todo, R$ 3,9 bilhões em dividendos referentes a 2022.

Exterior em baixa

No exterior, as bolsas recuam com o mercado digerindo dados de inflação elevados nos EUA. Com isso, os investidores querem saber o que o Fed (banco central americano) fará com a política monetária no país nos próximos meses.

Nesta quinta-feira, a inflação ao produtor (PPI) veio acima do esperado ao registrar um aumento de 0,7% em janeiro ante 0,4% das estimativas do mercado.

Na Europa, Isabel Schinabel, membro do Banco Central Europeu, disse que o mercado está “subestimando os riscos de uma inflação mais persistente na região e que ainda há um longo caminho de aperto monetário”. 

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