O Ibovespa abriu a semana com o pé esquerdo e fechou esta segunda-feira (26) no campo negativo, impactado pela baixa liquidez com o fechamento de Bolsas internacionais, diante do recesso de Natal, além da expectativa dos investidores de juros altos por mais tempo.
Na cena doméstica, analistas seguem à espera da nomeação de novos ministros do futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esperado para até o fim desta semana.
Com isso, o principal índice da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,88%, aos 108.738 pontos e R$ 7,71 bilhões em volume negociado, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
Previsão de juros mais altos assusta
Investidores voltaram a prever uma queda mais lenta dos juros a partir do próximo ano, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta manhã.
O mercado espera que a Selic feche 2023 em 12%, ante 11,75% na semana passada. Atualmente, a taxa oficial de juros do Brasil está em 13,75% ao ano.
Os agentes financeiros também voltaram a prever aumento da inflação em 2023 e 2024, para 5,23% e 3,60%, respectivamente.
Segundo Elcio Cardozo, sócio da Matriz Capital, o mercado ainda está preocupado com o cenário fiscal, que pode “gerar inflação e aumento da taxa de juros no próximo ano”. Os dados do Focus, de acordo com ele, reforçaram esta perspectiva.
Diante do temor de juros altos por mais tempo, o mercado penalizou ações voltadas ao mercado doméstico. As Lojas Renner (LREN3) puxou a fica das maiores baixas ao perder 5,35%. Na sequência aparecem Totvs (TOTS3) e Dexco (DXCO3), com baixas de 4,59% e 4,24%, respectivamente.
Além do cenário de juros, investidores monitoram a situação em Brasília, dada a proximidade da transferência de governo para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa é que novos ministros e presidentes de grandes estatais, como Banco do Brasil, Caixa e Correios, sejam anunciados nos próximos dias.
Reabertura da China no radar
Na ponta positiva, destaques para empresas ligadas a commodities, sobretudo o minério de ferro, que voltou a subir com a expectativa de a China arrefecer medidas de isolamento social.
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A explosão de novos casos de Covid-19, no fim da semana passada, gerou temor no mercado da volta de medidas mais duras da política de zero Covid, que deve prejudicar ainda mais a segunda maior economia do mundo.
Diante deste cenário, a alta foi puxada pelos papéis da Rede D’Or (RDOR3), que encerrou com avanço de 2,19%, seguida pelos papéis da Americanas (AMER3), com alta de 1,74%.
Entre as commodities, CSN (CSNA3) e SLC Agrícola (SLCA3) avançaram 1,65% e 1,59%, nesta ordem. A Vale (VALE3), que tem o papel de maior peso da B3, fechou o dia em alta de 0,92%.
Bolsas globais e criptos
No exterior, as Bolsas em Wall Street e na Europa não abriram nesta segunda-feira em razão do recesso de Natal. Os principais mercados da Ásia e da Oceania também não tiveram operações.
A falta de uma referência global fez os criptoativos ficarem praticamente estáveis, com investidores à espera de novos fatores que mexam com o mercado.
Por volta das 17h20, o Bitcoin (BTC) operava com leve alta de 1,26% em relação as últimas 24 horas, aos US$ 17.004, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) subia 0,73%, aos US$ 1.229.