Com ação a R$ 1, IRB (IRBR3) terá de recorrer a lote extra para levantar R$ 1,2 bilhão – entenda

Para gestor, empresa terá que emitir pelo menos metade do lote adicional para captar montante indicado

Foto: Shutterstock

O IRB (IRBR3), uma das gigantes globais do setor de resseguros, voltou, nesta semana, a estar estar no centro do noticiário financeiro. A empresa anunciou uma oferta de ações de até 597 milhões de ações e poderá ter que colocar pelo menos metade do lote extra para poder levantar o montante de R$ 1,2 bilhão necessário para sua capitalização, estimam duas fontes do mercado.

A empresa — que há dois anos e meio ficou marcada por um escândalo de fraude contábil e viu o valor da sua ação derreter (de mais de R$ 40, no início de 2020, para algo em torno de R$ 2, no patamar atual) — tem assistido agora a uma explosão da demanda pelo aluguel de ações da companhia, uma estratégia usada por investidores que acreditam que o papel pode cair ainda mais e querem ganhar com isso.

O aumento da demanda ocorre em meio à intenção da empresa de realizar uma nova oferta de ações, com a meta de levantar R$ 1,2 bilhão, dinheiro que ajudaria a companhia a voltar a se enquadrar em exigências de capital mínimo por parte do regulador, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) — um problema que ronda o IRB desde o escândalo contábil de 2020.

Na nova oferta, as ações podem ser precificadas a algo em torno de R$ 1, o que tem estimulado o mercado a optar pela estratégia do aluguel, uma vez que a ação da companhia tem sido negociada, hoje, em torno de R$ 2.

Em um mês, o volume de aluguel de ações do IRB saltou de 243,3 milhões de papéis alugados, em 29 de julho, para 332,9 milhões, em 24 de agosto, o equivalente a 27% das ações em circulação da empresa, segundo estimativa da Necton.

O aumento da demanda por aluguel levou a B3 a elevar o limite de aluguel para o papel para 30% das ações em circulação.

De acordo com um operador de uma corretora, investidores aumentaram a demanda por aluguel do papel, que sempre esteve entre as cinco ações mais emprestadas nos últimos meses, em razão da expectativa com a oferta de ações do IRB.

A ideia por trás dessa estratégia é alugar a ação e vendê-la no mercado ao preço atual, por volta de R$ 2, para recomprar o papel mais barato na oferta de ações e devolvê-lo ao doador (real dono da ação, que aluga para o investidor que aposta na queda), ganhando com a diferença, explica o operador.

Com o aumento da demanda, a taxa para alugar a ação do IRB disparou de 28,2%, no início desse mês, para 63,65%, no dia 24 de agosto.

“O mercado já apostava na necessidade de capitalização do IRB e vinha aumentando a posição vendida no papel”, afirma um gestor, em entrevista à Agência TradeMap, sob condição de anonimato.

O mercado espera que os acionistas controladores do IRB — Itaú Seguros e Bradesco Seguro — subscrevam a oferta para capitalizar a empresa e enquadrá-la nas exigências de capital mínimo e de provisões técnicas requeridas pela Susep, mas a um preço abaixo da cotação atual.

“O que se fala é que os grandes bancos indicaram que vão subscrever, mas a um preço bem abaixo do atual, algo próximo a R$ 1 e R$ 1,50”, afirma o gestor.

Para ele, seria necessário a empresa levantar pelo menos o montante de R$ 1,2 bilhão indicado na oferta para poder capitalizar a companhia. Com isso, considerando o preço mínimo de R$ 1 sinalizado pelos bancos, o IRB teria que emitir pelo menos 603 milhões a mais de ações do lote adicional para levantar os recursos necessários para a capitalização.

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A oferta do IRB prevê a emissão de 597 milhões de ações, com a possibilidade de colocação de lote adicional de até 200% sobre o volume da oferta. “Acho que a empresa terá que emitir pelo menos metade do lote adicional para levantar R$ 1,2 bilhão”, afirma o gestor.

Para um acionista do IRB, a oferta deve contemplar a colocação de lote adicional, uma vez que os controladores devem subscrever a emissão por um preço abaixo da cotação atual, mas ainda não está certo se será necessária a venda integral desse lote.

Parte desses recursos deve vir dos acionistas controladores e outra parcela dos investidores que estão com posição vendida (apostando na queda do papel), que precisam comprar as ações para devolvê-las aos doadores. “Mesmo assim, é desafiador completar o book [ da oferta], uma vez que não vemos outros compradores marginais relevantes”, disse o gestor.

A precificação da oferta está prevista para 1º de setembro.

Nesta quinta-feira (25), as ações do IRB fecharam em alta de 2,49%, a R$ 2,06. Em 12 meses, porém, acumulam queda de 60,7%.

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