Apesar do temor de que a economia global pode estar caminhando para uma recessão, o que levou o preço do petróleo atingir o patamar de US$ 90 por barril em novembro, o cenário de preços baixos não deve se sustentar em 2023, com o preço do óleo voltando a cotação de três dígitos nos próximos meses, segundo o Bank of America (BofA).
Citando um “ambiente de mercado apertado”, os analistas Frank McGann e Leonardo Marcondes projetam que o preço médio do petróleo tipo Brent – que serve como referência no mercado internacional – deve ser de US$ 100 em 2023.
Em relatório publicado nesta terça-feira (13), o BofA diz que vê o preço entrando no próximo ano com o mesmo patamar visto nos últimos meses de 2022, com o barril enfrentando volatilidade que pode ser de até US$ 20 para cima ou para baixo. A partir da metade do ano, a curva deve imbicar para o alto, com a cotação chegando até US$ 110.
Para o banco, a pressão sobre os preços será reflexo da perspectiva da reversão do quadro de recessão global para um cenário mais positivo.
Saiba mais:
Petróleo: preço cai para menos de US$ 90 e atinge menor nível desde outubro – veja por quê
Entre os principais fatores para sustentar a demanda, o BofA cita a retomada das atividades na China com a flexibilização de medidas contra a Covid-19, a perspectiva de estabilização dos juros nas maiores economias do mundo e o aumento do uso de petróleo para geração de energia.
“O risco global deve permanecer elevado no médio prazo, o que pode limitar a performance das ações”, diz o BofA. “No entanto, um eventual pico nas taxas de juros em 2023, combinado com um potencial abertura da economia chinesa, poderia levar a um desempenho de mercado mais forte”, acrescenta.
Do lado da oferta, os analistas do banco explicam que a Opep+, o cartel dos maiores exportadores de commodity, deva limitar a produção, enquanto países fora do grupo tendem a aumentar as atividades. A compensação dos baixos níveis dos estoques também deve favorecer a oferta.
Por volta de 13h19, o contrato futuro do Brent tinha alta de 2,92%, negociado a US$ 80,20 o barril.
E a Petrobras?
Apesar das previsões de novas altas do petróleo ao longo dos próximos anos – o que pode beneficiar produtoras e exportadoras da commodity – o banco se mantém neutro em relação à Petrobras (PETR4; PETR3).
A cautela é justificada pelas incertezas sobre como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai lidar com a empresa.
Durante a campanha, Lula já havia prometido reverter a atual política de preços da estatal, que acompanha o preço do petróleo do mercado global para alterar o valor nos postos de combustíveis.
Nesta semana, o temor voltou a ficar mais latente após rumores da indicação do ex-senador Aloizio Mercadante para o comando da estatal e o aumento de risco de flexibilização do controle fiscal.
“Espera-se que o novo governo Lula faça importantes ajustes na Petrobras, que podem levar a mudanças nos gastos de capital, com mais investimentos em renováveis e menores dividendos”, explica o banco.
O BofA também ressalta a tendência de mudanças nas operações da empresa, incluindo maior atenção para energias renováveis. “A incerteza relacionada a como que isso será implementado provavelmente limitará a valorização das ações, apesar de outros fatores positivos”.