Apesar de reconhecer um cenário macroeconômico mais difícil para as construtoras de médio e alto padrão no Brasil, em meio a altas nos juros e nos custos de construção, a equipe de analistas do BTG Pactual (BPAC11) acredita que o preço das ações já considera o cenário, e que as companhias estão bem posicionadas para atravessar este momento.
Nos últimos 12 meses, as ações do setor acumulam queda de 43%, contra recuo de 5% do Ibovespa. A maior parte da desvalorização, segundo o BTG em relatório distribuído nesta segunda-feira (21), foi motivada justamente pelas incertezas políticas e macroeconômicas.
Assim, apesar das dificuldades macroeconômicas, o banco recomenda compra para e EzTec (EZTC3), Even (EVEN3), Helbor (HBOR3), Lavvi (LAVV3), Melnick (MELK3), Mitre (MTRE3), Tecnisa (TCSA3), Trisul (TRIS3) e Cyrela (CYRE3), que é a preferida do BTG no setor.
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Isso porque o banco ainda vê um cenário razoável para estas companhias, considerando as taxas de hipoteca, que continuam em níveis elevados; o financiamento abundante; a solidez da demanda por imóveis; e a capacidade das empresas de aumentar os preços de venda. Além disso, o BTG aponta que, mesmo que o poder de compra de imóveis tenha piorado recentemente, segue muito melhor do que em outros momentos de crise.
“Ainda esperamos que as companhias registrem resultados sólidos e um aumento razoável em lucratividade, apesar de esperarmos uma desaceleração em lançamentos/vendas para 2022”, afirmam os analistas do banco.
Além do cenário, os balanços das companhias estão mais fortalecidos, o que significa que elas estão mais preparadas para navegar um momento de crise. A maior parte dos ativos das empresas corresponde a caixa, estoques e banco de terrenos, o que o BTG considera positivo, e as empresas também estão muito menos endividadas.
Diante disso, o banco acredita que as ações estão sendo negociadas a um valor muito baixo, com o setor entre os mais baratos do Ibovespa em termos de preço e lucro. “Vemos todas as ações como atrativas e acreditamos que, em um horizonte de dois anos, os investimentos irão valer a pena, apesar de um curto prazo difícil”, diz o relatório.
Nesse sentido, os analistas ressaltam também o potencial de pagamento de dividendos uma vez que as condições macroeconômicas se estabilizarem.
Cyrela
Preferida no setor, o BTG tem preço-alvo de R$ 27 para a ação da Cyrela, o que representa alta de 66% em relação ao preço de fechamento da última sexta-feira (18), de R$ 16,24.
O favoritismo da Cyrela é baseado no nível de preço atrativo do papel, na capacidade do time de gestão, na força do balanço e na forte liquidez das ações, especialmente em um cenário volátil. O banco aponta ainda que a ação tem alguns fatores capazes de gerar valor que não estão precificados, como a sua fintech CashMe e sua participação em outras empresas listadas, como Cury (CURY3), Lavvi e Plano&Plano (PLPL3).
O BTG espera ainda que a Cyrela entregue fortes resultados em 2022, seguindo as vendas fortes em 2020 e 2021, e que pague altos dividendos, devido à baixa alavancagem e ao fluxo de caixa positivo.
EzTec
A EzTec deve reportar resultados leves em 2022, na visão do BTG, mas a companhia está bem posicionada no segmento de médio padrão, em que enfrenta pouca concorrência, e tem um grande banco de terrenos no nicho de alta renda, com boas margens. O banco menciona ainda o renome da construtora por sua alocação de capital.
O preço-alvo fixado pelo BTG é de R$ 30, o que representa alta de 59%.
Even
O banco passou a recomendar compra para a Even considerando o preço das ações mais atrativo, e fixou o preço-alvo em R$ 10 – upside de 57%. O BTG destaca ainda a estratégia de compra de terrenos da companhia e seu endividamento reduzido, o que pode fazer com que pague mais dividendos.
Helbor
O preço-alvo para a ação da Helbor é de R$ 7, o que representa alta de 78%, e a expectativa do BTG é que a lucratividade da empresa se recupere nos próximos anos, seguindo uma redução no endividamento e melhorias nas margens. O lucro de 2022, no entanto, deve ser mais baixo, devido ao número menor de lançamentos em 2021.
Lavvi
A Lavvi é um dos investimentos mais atrativos no setor de construção, segundo o BTG, que tem preço-alvo de R$ 10 para o papel (potencial de alta de 160%). O banco destaca o histórico de alta lucratividade dos projetos e o preço atrativo da ação.
Melnick
Em relação à Melnick, o BTG destaca a liderança da companhia em Porto Alegre, que deve se fortalecer com o balanço sólido e com um banco de terrenos considerável. O cenário macroeconômico, porém, pode ser especialmente difícil para a empresa, uma vez que a renda das famílias em Porto Alegre não tem mostrado recuperação.
O preço-alvo para a ação é de R$ 7, o que corresponde a alta de 79%.
Mitre
Os lançamento de 2021 devem impulsionar os lucros da Mitre em 2022 e 2023, de forma que ela está bem posicionada para entregar resultados sólidos e com boas margens. O preço-alvo de R$ 11 representa alta de 78%.
Tecnisa
Apesar de prever resultados fracos no curto prazo, a participação da companhia no projeto de alto padrão Jardim das Perdizes, que tem apresentado margens impressionantes, tem potencial para impulsionar a ação, segundo o BTG. O preço-alvo é de R$ 7 – alta de 92%.
Trisul
Finalmente, a ação da Trisul oferece uma boa relação entre risco e retorno, segundo o BTG, considerando o histórico da gestão. A expectativa é que os resultados permaneçam fortes nos próximos anos. O preço-alvo é de R$ 10, o que significa alta de 78%.