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BRF (BRFS3): preço da ação volta ao nível do crash da pandemia – veja o porquê

BRF (BRFS3): preço da ação volta ao nível do crash da pandemia – veja o porquê

Como boa parte dos papéis da bolsa brasileira, o da companhia se recuperou gradualmente desde então até atingir um pico de quase R$ 32 em junho do ano passado, mas seguiu tendência de queda na sequência

Foto de fachada de prédio da BRF, com foco no logo da empresa

Foto: Shutterstock

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Os resultados negativos da BRF (BRFS3) no primeiro trimestre desapontaram o mercado e colocam as ações da companhia entre as que mais caem dentre os componentes do índice Ibovespa.

O preço do papel, inclusive, chegou a bater mínimas que foram registradas pela última vez em no início de 2020, quando as bolsas mundiais sofreram quedas sucessivas por receios com os impactos que a pandemia de Covid-19 teria sobre a economia global.

Naquele ano, o valor das ações da BRF terminou fevereiro em R$ 27,04, mas passou por uma queda vertiginosa nas pouco mais de duas semanas que se seguiram. Em 18 de março, atingiu um piso de R$ 11,52, acumulando uma queda de 57% em relação ao final do mês anterior.

Como boa parte das ações da bolsa brasileira, a da BRF se recuperou gradualmente desde então até atingir um pico de quase R$ 32 em junho do ano passado, mas seguiu tendência de queda na sequência.

A companhia, assim como várias outras, tem sentido na pele o efeito do aumento no preço de commodities que formam sua base de custos, grãos para alimentação dos animais, por exemplo.

Além disso, sofre com a fraqueza econômica no Brasil, seu maior mercado, e com a dificuldade de repassar preços em um ambiente de inflação elevada, em que o consumidor fica mais criterioso na hora de abastecer a despensa.

2022 começou muito fraco na BRF

O efeito desse cenário veio na forma de estoques sobrecarregados no primeiro trimestre, com aumento dos custos logísticos e das perdas na produção da BRF.

Tudo isso fez com que a empresa apresentasse prejuízo de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre, a despeito de um aumento de 13,7% na receita em relação a igual período de 2021, para R$ 12 bilhões.

O resultado foi negativo inclusive entre indicadores que excluem despesas menos relacionadas à operação da BRF.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em termos ajustados, por exemplo, caiu 91% em relação a um ano antes, para R$ 121 milhões.

Isso significa que a margem de lucro da BRF medida pelo Ebitda ajustado foi equivalente a 1% da receita, o menor índice da história da companhia, segundo a XP Investimentos.

“Embora reconheçamos que parte dos custos crescentes não são recorrentes devido a reajustes da cadeia produtiva, continuamos céticos em relação à recuperação dos resultados da BRF em 2022”, disse a corretora em um relatório, reforçando sua recomendação neutra para a ação.

O BTG Pactual resumiu melhor a situação. “A BRF reportou um trimestre para esquecer. O Ebitda é comparável somente ao de outros momentos problemáticos, como a greve dos caminhoneiros e o das investigações da [operação] Carne Fraca”, afirmou.

O banco, que tem recomendação neutra para as ações da BRF, também reagiu com estranhamento ao tamanho das perdas reportadas pela companhia.

“Embora acreditemos que toda a indústria de aves tenha enfrentado contração significativa na demanda em janeiro – outras empresas de consumo disseram o mesmo -, ainda não vemos impactos comparáveis com os que a BRF reportou”, disse o BTG Pactual.

“Até certo ponto, depois de mostrar uma resiliência impressionante nos resultados de 2021, achamos que esse número sustentável pode ter sido menor, já que exigiu um nível significativo de ajuste no trimestre que veio em seguida. Além disso, o fato de que isto aconteceu no trimestre em que a companhia conduziu um follow-on é algo que deve atrair reprovação dos investidores”, acrescentou o banco em relatório.

Leia mais:
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A BRF tem salvação?

A XP considera que as margens de lucro da empresa devem continuar baixas porque a demanda no Brasil está fraca. Os preços do milho e da soja, por sua vez, devem seguir altos e com chance de subir ainda mais em caso de escassez de fertilizantes ou de clima desfavorável às plantações nos Estados Unidos.

O BTG Pactual é menos pessimista, por considerar que a produção de milho no Brasil vai ser forte e ajudará a diminuir os custos com a criação de aves por aqui na comparação com outros países.

“A queda na produção de frango no Brasil (de 5% na comparação anual em janeiro e fevereiro), mesmo que quase inteiramente liderada pela BRF, também sugere que os preços podem se recuperar, gerando uma boa recuperação de margem à frente”, afirmou o banco. O BTG acha, no entanto, que, no setor de proteínas, é mais recomendável investir em empresas que produzem carne bovina.

O Itaú BBA informou que vai revisar suas projeções para a BRF após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, mas estima que ainda levará mais tempo até a empresa voltar a níveis mais normais de lucratividade.

“Nossa previsão é de R$ 5,8 bilhões para o Ebitda em 2022, e só incorporando os dados decepcionantes do primeiro trimestre ao nosso modelo oficial, essa estimativa cai para R$ 4,7 bilhões, sem levar em consideração potenciais reduções na curva de resultados do restante do ano”, afirmou o banco.

“Ainda precisamos avaliar o ritmo de recuperação conforme passamos pelo segundo trimestre de 2022, mas a magnitude do problema e a falta de ancoragem para esse impacto sem precedentes nos deixa mais conservadores” em relação à BRF, acrescentou.

Por volta das 13h (de Brasília), as ações da companhia caíam 5,86%, para R$ 12,86. No início do dia, atingiram uma mínima de R$ 11,77, o que equivalia a uma queda de 13,8% em relação ao fechamento de ontem.

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