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Prejuízo bilionário: BRF (BRFS3) reverte lucro e tem perdas de R$ 1,6 bi no primeiro trimestre

Prejuízo bilionário: BRF (BRFS3) reverte lucro e tem perdas de R$ 1,6 bi no primeiro trimestre

Resultados foram impactados pelo ambiente macroeconômico, segundo a companhia

Celular com logo da BRF

Foto: Shutterstock

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Em meio a um cenário macroeconômico desfavorável, a BRF (BRFS3) reportou prejuízo líquido societário de R$ 1,581 bilhão no primeiro trimestre de 2022, contra lucro de R$ 22 milhões anotado no mesmo período do ano passado.

O resultado líquido das operações continuadas, por sua vez, foi de prejuízo de R$ 1,546 bilhão, também contra lucro de R$ 22 milhões no primeiro trimestre de 2021.

De acordo com a companhia, no relatório de balanço publicado na noite desta quarta-feira (4), os resultados sofreram impacto do cenário macroeconômico e geopolítico, como a redução de renda da população brasileira e a alta da inflação ao redor do mundo.

Neste cenário, a BRF explica que colocou em ação um plano para readequar sua cadeia, o que ampliou as perdas. “Em uma cadeia longa e viva, o efeito dos ajustes pode surgir entre três a nove meses após as medidas tomadas, mas seus custos se concentram no período inicial”, explica a gestão da empresa.

Entre as iniciativas adotadas, a companhia cita promoções e ajustes no mix e no volume de produção — o que, junto com a redução de estoques, a diminuição de produção e os ajustes na cadeia do agronegócio — tiveram impacto negativo de R$ 422 milhões no trimestre.

Analistas do Bank of America (BofA) já esperavam que os resultados da BRF caíssem neste trimestre, pressionados pelo cenário macro e por problemas de execução. Porém, mesmo em sua projeção pessimista, o banco esperava um prejuízo de R$ 313 milhões – 405% abaixo do reportado.

O prejuízo realizado também foi 660% superior ao esperado pelo BTG Pactual, que previa perdas de R$ 208 milhões.

A XP Investimentos e o Banco Inter também já esperavam que a BRF fosse o ponto baixo do trimestre entre os frigoríficos brasileiros, devido a pressões de custo e à piora das perspectivas macroeconômicas, que afetam o poder de precificação da companhia.

A receita líquida consolidada, que envolve Brasil, Internacional, Ásia, Halal (oriente médio) e outros segmentos, somou R$ 12,041 bilhões no trimestre, uma elevação de 13,7% na comparação anual.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado caiu 90,2% no período e somou R$ 121 milhões ante o mesmo intervalo de 2021.

O número total de toneladas produzidas pela companhia no primeiro trimestre deste ano foi de 1,144  milhão de toneladas, 7% maior que o visto na comparação com o ano passado. A produção no Brasil, por sua vez, subiu 2,6%, para 549 mil toneladas.

As despesas operacionais totais aumentaram 11% no período e totalizaram R$ 1,494 bilhão no trimestre, impactadas negativamente pelas despesas logísticas, com um aumento de custos causado pela guerra na Ucrânia, e por investimentos em marketing.

No entanto, a companhia ressalta que o percentual dos custos sobre a receita líquida apresentou melhora, refletindo uma redução nas despesas administrativas e a menor representatividade das despesas com vendas.

Além disso, a BRF afirma que, apesar do trimestre difícil, sinais de recuperação já começaram a aparecer em março, com uma retomada de volumes e preços no Brasil. Outros fatores, como a gripo aviária no Hemisfério Norte e a redução de exportações da Ucrânia, podem afetar a companhia positivamente nos próximos meses.

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