O presidente Jair Bolsonaro criticou, mas a Petrobras segue com a mesma opinião: o melhor preço para se aplicar aos combustíveis, no Brasil, é o “de mercado”.
O assunto foi abordado nesta sexta-feira (6) pela estatal durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, mas não pelo novo presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho (que assumiu em abril), e sim pelo diretor executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da Petrobras, Rafael Chaves.
Segundo ele, a empresa está fazendo um esforço grande para melhorar a comunicação em relação ao ajuste nos preços da gasolina e do diesel, e avalia que o sistema usado atualmente – baseado em cobrar no mercado doméstico o mesmo valor praticado no mercado internacional para estes combustíveis – é o mais eficaz.
“A empresa pratica preços de mercado, da liberdade econômica entre oferta e demanda, inevitavelmente o preço vai subir e cair. A alternativa ao preço do mercado seria o tabelado que já vimos no passado, mas é uma solução que não funciona. Entendemos que o melhor é o preço de mercado”.
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Chaves também frisou que a companhia está sempre disposta a conversar com o governo no âmbito técnico sobre o tema.
A Petrobras reajustou os preços dos combustíveis pela última vez em março. O aumento contribuiu para manter a inflação em níveis elevados, e uma nova elevação pode estar prestes a acontecer. De acordo com dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), há uma defasagem nos preços da gasolina e do diesel no Brasil em relação ao exterior – de 17% e de 21%, respectivamente.
A estatal afirma que precisa manter os preços do mercado interno alinhados aos do exterior porque parte do consumo brasileiro de combustíveis é suprido por importadores. Segundo a Petrobras, sem a paridade, pode faltar gasolina e diesel por aqui.
Estoque baixo de diesel no exterior
Especificamente sobre a oferta de diesel, o diretor executivo de Comercialização e Logística, Cláudio Mastella, disse que o baixo estoque no mercado internacional é algo preocupante e, embora a empresa não tenha “visibilidade sobre o fornecimento pelos outros players”, o risco de redução na oferta é algo que está no radar.
“O baixo estoque se dá pela volatilidade e assimetria dos preços no mercado, ainda como consequência da crise sanitária (Covid-19)”, afirmou.
Para lidar com esse cenário, a Petrobras deu um reforço para a empresa de trading da companhia que atua no exterior, mantendo contato com diversos agentes de petróleo e derivados, o que permite à estatal monitorar o fluxo dos derivados.
Sobre a capacidade de produção das refinarias, o diretor de Comercialização e Logística da estatal disse que os empreendimentos estão rodando perto da máxima, sendo que o fator de produção ficou entre 90% e 92%, levando em consideração a segurança e a rentabilidade.
“O refino nacional não tem capacidade para atender toda a demanda no Brasil. O mercado brasileiro é competitivo e assim continuará, não vejo mudança de cenário para este ano”.
Venda de ativos secundários vai continuar
Chaves afirmou que ao final do ano, quando a empresa faz um rebalanceamento do plano estratégico, sempre é discutida a possibilidade de a Petrobras entrar em novos negócios. A entrada num novo ramo, porém, se acontecer, será devagar.
“A Petrobras é focada em óleo e gás e outros segmentos, assim como a descarbonização. Existe a possibilidade de ter um segundo motor, mas a direção é mais importante do que a velocidade, precisamos apreciar as alternativas no âmbito do conselho para ver se vai testar em alguma operação focada naquilo que não temos hoje”, explicou o executivo.
Já o novo presidente da companhia ressaltou que ela seguirá com os desinvestimentos nos ativos non core (que não são prioridades). Sobre refino e gás natural, no entanto, o executivo disse que a empresa continuará no setor, e fará apenas alguns ajustes na carteira.
“O que estamos fazendo é um ajuste de portfólio, ficando com as plantas que são mais propícias aos negócios da companhia, que estão mais perto do mercado consumidor”, diz Coelho.
A novela Braskem
A Braskem foi outro assunto discutido com analistas durante a teleconferência, uma vez que a Petrobras vem há bastante tempo querendo sair do ativo.
O diretor executivo Financeiro e de Relações com Investidores, Rodrigo Araujo, lembrou que a estatal tentou sair da petroquímica no começo do ano, mas o mercado adverso não permitiu. “Seguimos monitorando o mercado e avaliando o momento para retomar a venda da Braskem”.