Após passar a maior parte do dia entre perdas e ganhos, o Ibovespa encerrou a primeira semana da semana em queda de 0,08%, aos 105.711 pontos, segundo dados da plataforma TradeMap. O volume de negociação encerrou em R$ 13,65 bilhões.
Internamente, o destaque foi a oneração de combustíveis. Embora falte detalhamento, já está certo de que a gasolina terá maior carga tributária do que outros combustíveis, como o etanol. Os detalhes ainda serão detalhados pelo Ministério da Fazenda.
No cenário internacional, as principais Bolsas voltaram a operar no campo positivo após a pior semana do ano, tanto em Wall Street, quanto na Europa, em meio aos temores de aumento dos juros americanos.
Volta de impostos impulsiona Petrobras (PETR4)
O Ministério da Fazenda confirmou a volta dos impostos federais PIS/Cofins sobre os combustíveis a partir de quarta-feira (1º). Apesar da arrecadação adicional de R$ 28,9 bilhões estar mantida, a gasolina, por ser um combustível fóssil, pagará uma alíquota maior que a o etanol, que é um biocombustível.
A assessoria de imprensa da Fazenda, que deu a informação, não detalhou o percentual da alíquota que será cobrada de cada combustível.
A expectativa é que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhe o assunto após reunião com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, e com o presidente da Petrobras (PETR4), Jean Paul Prates, no Rio de Janeiro.
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A sinalização da volta dos tributos deu impulso aos papéis da Petrobras. A opção preferencial fechou em alta de 0,69%, enquanto a ordinária valorizou 1,66%.
Outras companhias que tendem a se beneficiar com a oneração se destacaram no Ibovespa. Os papéis da Raízen (RAIZ4) lideraram as altas com valorização de 5,19%, enquanto os da São Martinho (SMTO3) ganharam 5,12%.
Segundo Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, a medida foi vista com bons olhos pelo mercado por ajudar a reduzir o rombo de R$ 200 bilhões na conta do governo, além de dar força para a gestão de Haddad à frente da Fazenda.
“A prorrogação da desoneração poderia indicar mais uma derrota para a equipe econômica”, explica Cohen.
Juros em queda também ajudam
O alívio com a volta dos tributos também reforçou a queda dos contratos de juros futuros curtos e longos. As opções com encerramento em 2024 caíram 12 p.p (ponto percentual), a 13,19%, enquanto os vencimentos em 2029 recuaram 19 p.p, a 13,21%.
O movimento deu força para as empresas mais expostas à economia doméstica, principalmente as varejistas. Os papéis da Alpargatas (ALPA4), que chegaram a liderar as altas mais cedo, subiram 2,75%, assim como a Via Varejo (VIIA4), que ganhou 2,04%.
As ações da Renner (LREN3) também figuraram entre as altas, com avanço de 1%. Mais cedo, a BB Investimentos divulgou relatório cortando o preço-alvo da empresa de R$ 31,60 para R$ 26, mas ainda mantendo a recomendação de compra diante do potencial de recuperação ao longo dos próximos meses.
Quedas do dia
A ponta de baixo foi puxada pela Hapvida (HAPV3), com perda de 4,21%, seguida pela CVC (CVCB3), e Qualicorp (QUAL3), com quedas de 4,12% e 3,67%, respectivamente.
A SLC Agrícola (SLCE3) também esteve entre os destaques negativos, com recuo de 2,96%, em um movimento de ajuste de preços. A empresa teve uma alta de 0,77% no pregão da última sexta após anunciar a aquisição de 12,4 mil hectares de terras no município de São Desidério, na Bahia, por R$ 470 milhões.
Em relatório enviado a clientes no dia, o BTG Pactual pontuou que a SLC executou uma boa oportunidade comercial mesmo considerando que o valor médio das terras agrícolas está caro no país por conta de um avanço no preço das commodities desde 2020.
Mercados globais e criptos
Os mercados globais voltaram ao campo positivo neste início de semana, apesar de os temores da alta dos juros americanos ainda estarem no radar.
Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,22%, enquanto S&P 500 ganhou 0,31% e Nasdaq apontou 0,63% para cima. Na Europa, o Euro Stoxx 50 fechou com valorização de 1,74%.
Na contramão, o mercado cripto opera no vermelho nesta segunda-feira. Por volta das 17h40, o Bitcoin (BTC) tinha perda de 1,13% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 23.335. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) operava perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%, negociado a US$ 1.645.