Bolsa ignora exterior misto e baixa do petróleo e sobe 1,16%; Magazine Luiza (MGLU3) dispara

Contrato futuro do barril do Brent recuou 2,05%, negociado a US$ 86,35, segundo dados da ICE

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

O Ibovespa retornou ao campo positivo nesta terça-feira (24), destoando do clima misto das Bolsas globais e liderado mais uma vez por ações varejistas, em um movimento de rotação de aportes após o colapso da Americanas (AMER3).

No cenário político, os investidores seguem analisando as tentativas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de apagar os incêndios após as falas do presidente Lula sobre voltar a usar o BNDES para financiar obras fora do Brasil, além das críticas à autonomia do BC (Banco Central).

Diante deste contexto, o principal indicador da Bolsa brasileira encerrou em alta de 1,16%, aos 113.028 pontos e R$ 16,69 bilhões em volume negociado.

Este desempenho faz o Ibovespa subir 0,88% na semana, enquanto desde o início do ano, a valorização é de 3%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Magazine Luiza lidera ganhos

As altas do Ibovespa foram predominadas por empresas sensíveis aos juros diante da queda dos contratos futuros, a despeito da prévia da inflação em janeiro ter vindo pouco acima do esperado pelo mercado.

O IPCA-15 registrou alta de 0,55%, acima das expectativas do mercado, de 0,52%. Além do número pressionado, a abertura dos dados mostrou que todos os nove itens pesquisados tiveram aumento, com maiores impactos nos setores de saúde e cuidados pessoais (1,1%) e alimentação e bebidas (0,55%).

O pelotão de cima, porém, voltou a ser liderado pela Magazine Luiza (MGLU3), que subiu 8,66%. O movimento reflete o fluxo positivo dos investidores do setor varejista após a exclusão da Americanas do Ibovespa em meio ao processo de recuperação judicial.

“Magalu subiu hoje porque alguns investidores que querem investir em varejo, em vez de comprar Americanas, migram para a empresa. Das empresas de varejo, quem mais se beneficia com a crise da Americanas, é a Magalu”, destaca Ricardo Brasil, fundador do Gava Investimentos.

Ainda na ponta de cima, CVC (CVCB3) valorizou 8,65%, enquanto Natura (NTCO3) ganhou 6,79% e Petz (PETZ3) subiu 6,64%

Petróleo recua

O contrato futuro do barril de petróleo tipo Brent recuou 2,05%, negociado a US$ 86,35, segundo dados da ICE (Internacional Exchange).

O recuo corrige parte das altas registradas nas últimas semanas com a expectativa de reabertura da economia chinesa depois da política de zero Covid.

Vale lembrar que o mercado chinês está fechado até a próxima semana em comemoração ao Ano Novo Lunar, o que reduz a liquidez nas Bolsas globais.

A queda da commodity derrubou as petroleiras na Bolsa brasileira. Os papéis da 3R Petroleum (RRRP3) lideraram as perdas, com queda de 3,08%. No mesmo segmento, Prio (PRIO3) perdeu 1,28%, enquanto as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 0,71% e as ordinárias (PETR3) perderam 0,75%.

Saiba mais

A queda na estatal ocorre a despeito do anúncio de reajuste do preço médio de venda de gasolina para as distribuidoras de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro, um aumento de R$ 0,23 por litro, ou 7,47%.

O anúncio interrompe uma sequência de cinco quedas consecutivas no preço do combustível desde junho do ano passado. O último recuo aconteceu em dezembro de 2022.

Em relatório, o Goldman Sachs afirmou que acredita que a Petrobras tem acompanhado, até certo ponto, os preços internacionais, e reiterou que esse ajuste aconteceu ainda sob a gestão do governo de Jair Bolsonaro.

“Vemos os preços da gasolina da Petrobras 17% abaixo dos níveis vistos na gasolina da Costa do Golfo. Isso nos leva a acreditar que as margens de refino consolidadas da Petrobras permanecem em níveis saudáveis”, diz o banco.

Bolsas globais e criptos

No exterior, com os investidores de olho nos resultados corporativos as empresas americanas do quarto trimestre e dados econômicos europeus, os mercados fecharam sem direção definida.

Em Wall Street, o Dow Jones fechou em alta de 0,31%, o S&P 500 caiu 0,07% e a Nasdaq perdeu 0,27%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 fechou quase estável, com alta de 0,05%.

Na Europa, a prévia do PMI composto do continente, que reúne dados do setor industrial e de serviços, registrou 50,2 pontos em janeiro ante 49,3 em dezembro.

Na avaliação da XP, o indicador voltou a um patamar de crescimento, o que dá mais esperanças de que o continente poderá escapar de recessão com “atividade econômica resiliente”. Na China, as bolsas locais permanecem fechadas por conta do feriado de Ano Novo Lunar. 

Seguindo esse clima ameno, o mercado de cripto devolve parte das altas registradas nos últimos dias, quando a cotação das principais criptos alcançaram o patamar visto em agosto de 2022.

Por volta das 17h40, o Bitcoin (BTC) perdia 0,63% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 22.986, de acordo com dados da plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) cedia 0,60%, negociado a US$ 23.002.

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