Bancões veem deflação em setembro, mas mercado ainda não chegou lá e espera alta de preços

Medidas do governo foram as principais responsáveis por registros negativos do IPCA em julho e agosto

Foto: Shutterstock

A manutenção dos efeitos dos cortes de tributos sobre os combustíveis e os reajustes para baixo nos preços destes produtos pela Petrobras faz com que algumas grandes instituições financeiras enxergue espaço para nova deflação em setembro.

Caso se confirme, será a primeira vez desde 1998 que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registra três meses seguidos no campo negativo. Em agosto, o índice caiu 0,36% ante julho, mês em que já havia recuado 0,68%.

Do lado dos que defendem a possibilidade de deflação, há instituições como Itaú BBA e BTG Pactual. No entanto, este está longe de ser o consenso do mercado.

Levantamento feito diariamente pelo Banco Central (BC) com mais de uma centena de instituições mostra que, até a última sexta-feira (9), data em que vieram à tona os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto, o mercado ainda esperava inflação de 0,17% em setembro.

Embora este número venha sendo constantemente revisado para baixo (há cerca de um mês a taxa projetada era de 0,47%), bancos como o Goldman Sachs acham que é preciso cuidado em relação à trajetória dos preços.

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Em relatório publicado na sexta-feira, o banco americano ressaltou que em agosto o núcleo da inflação – que considera apenas itens com preços menos voláteis – foi de 0,66% em agosto, ante 0,53% em julho.

Além disso, o porcentual de produtos e serviços que tiveram alta nos preços em agosto chegou a 65,3% da cesta medida pelo IBGE, ante 62,9% em julho.

“Apesar do resultado negativo, o IPCA de agosto não traz muito conforto à inflação à frente, visto a pressão inflacionária elevada e disseminada nos serviços e o resultado acima do esperado no núcleo e no grupo de preços livremente determinados”, informou o banco.

Com uma visão mais otimista, Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, vê espaço para o IPCA encerrar este mês próximo da estabilidade, com leve deflação de 0,02%. Para a especialista, os efeitos do corte de impostos nos combustíveis e energia elétrica ainda terão efeito, mesmo que reduzido, nas contas de setembro.

A partir de outubro, porém, os efeitos já serão extintos e a inflação volta a seguir para o campo positivo. “Apesar de o núcleo vir acima da expectativa e a difusão aumentar, a abertura dada pelo corte nos transportes, sobretudo nos combustíveis, ainda vai puxar a inflação para baixo em setembro”, afirma.

O BTG Pactual acha que os efeitos do corte de tributos sobre combustíveis e outros bens essenciais deve perder força em setembro, mas ressalta que a redução no preço da gasolina reduz a pressão inflacionária e espera deflação de 0,08% neste mês.

Na mesma linha, o Rabobank estima que o IPCA repita o comportamento de retração e registre deflação de 0,17% em setembro, mas que em outubro o número já suba para 0,40%.

Em nota publicada na semana passada, a instituição também aponta o aumento do preço no núcleo da inflação e a disseminação pela cadeia, além do aumento  como fatores de preocupação.

“Os índices [de difusão da alta de preços] ainda permanecem acima das suas respectivas médias históricas, indicando o quanto a alta de preços está infiltrada”, informaram.

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