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Banco Inter (BIDI11) se despede da Bolsa brasileira; papéis caem mais de 5%

Banco Inter (BIDI11) se despede da Bolsa brasileira; papéis caem mais de 5%

Banco passará a negociar seus papéis na bolsa americana Nasdaq, seguindo o plano de se tornar uma marca global

Cartão do Banco Inter e um celular com o logo da instituição

Foto: Shutterstock

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O Banco Inter (BIDI11) terá as ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira, a B3, pela última vez nesta sexta-feira (17). Após encerradas as transações, a base acionária da companhia deve ser incorporada pela Inter&Co e listadas na Nasdaq, bolsa de valores americana. Os papéis da companhia recuavam 5,02%, cotados a R$ 10,02, por volta das 16h15.

Segundo a empresa, o motivo da migração de mercado é devido às estratégias futuras da instituição financeira em replicar seu modelo de negócio em outros países.

O plano do banco consiste em ter 50% da receita advinda de operações internacionais até 2025, segundo João Vitor Menin, CEO da companhia. Para atingir o objetivo, o plano traçado foi atender a demanda internacional de imigrantes no EUA e, após consolidação por lá, migrar para a Europa em busca de se tornar uma marca global.

O Inter já havia dado o primeiro passo para o mercado americano no final de 2021 ao realizar a compra da fintech Usend com cerca de 150 mil clientes. O banco que já conta com uma base de 18,6 milhões de clientes, deve trabalhar na meta de curto prazo, que é bater um milhão de clientes no exterior ainda este ano.

Outro motivo para a ida ao mercado americano é que a empresa pode captar recursos adicionais por meio da emissão de novas ações no exterior para manter o plano de crescimento, sem que haja diluição da participação do acionista controlador, Inter holding financeira S.A. (Holdfin), para menos de 50%.

No Brasil existe uma regulamentação, imposta pelo Banco Central, de que instituições financeiras tenham um acionista controlador ou grupo de controle definido. Portanto, o controlador do inter que detém 53,1% das ações ordinárias, com direito a voto, não conseguiria realizar uma oferta de novas ações sem que sua parte fosse diluída para menos de 50%.

O acionista controlador é aquele que tem maior influência nas decisões da empresa. Geralmente pessoa física ou jurídica, ou ainda um grupo controlador, que detém a maioria das ações com direito a voto da empresa, podendo eleger a maioria dos administradores da organização.

Desafios da mudança de cenário

A empresa segue os passos de outras fintechs brasileiras que negociam no mercado dos Estados Unidos como XP e Nubank. Com isso o banco passa a competir diretamente com outras do mercado internacional, não somente na operação, mas também na busca por capital.

Outro fator desafiador para o banco é a conjuntura macroeconômica global do alto patamar de inflação e juros. O indicador de preços EUA, por exemplo, que atingiu a maior inflação desde 1981, fechou o acumulado de 12 meses até maio em 8,6%.

Como tentativa de estabilizar a inflação, o Fed iniciou um novo ciclo de alta nos juros com um aumento de 0,75 pontos percentuais nesta última quarta-feira (15), chegando a um intervalo de 1,50% a 1,75%.

Estes fatores devem impactar negativamente o banco quanto ao aumento da inadimplência que reflete diretamente na rentabilidade da empresa. Neste primeiro trimestre de 2022 o banco já registrou um aumento da inadimplência de 90 dias de 0,7 pontos percentuais e atingiu 3,3%.

Além disso, a empresa deve encontrar desafios no exterior. Com o novo ciclo de alta de juros americano, a tendencia é que os investidores optem por investimentos em empresas mais sólidas e estáveis em momentos de crise, ou até mesmo possam trocar a renda variável pela renda fixa americana.

Nesse contexto, o Banco Inter é uma empresa de crescimento na qual depende do longo prazo para começar gerar valor para os acionistas. Assim, as ações no exterior podem ser negociadas a preços inferiores e, consequentemente, a captação de recursos por novas emissões de ações devem ser menor.

O efeito do juros sobre o preço de uma ação

Em uma análise fundamentalista, o analista utiliza os juros, entre outras premissas, como uma das principais medidas para encontrar preç- justo de uma empresa. O valor justo é o valor que uma ação vale de acordo com as estimativas de fluxos de caixa futuros que a empresa pode gerar trazidos para o valor presente, ou seja, o preço baseado nos possíveis retornos.

Sendo assim, os juros auxiliam no cálculo para trazer receitas futuras para o presente. Conforme os juros sobem, menor será o valor presente de uma receita no futuro. Por exemplo, R$ 100 daqui um ano, considerando apenas os juros de 13,25%, valem R$ 86,25 hoje.

Ao mesmo tempo, os investimentos livres de risco, como renda fixa, ficam mais atrativos. Dessa forma, a tendência é que o investidor exija um maior retorno sobre o ativo devido o maior risco.

Portanto, as ações passam a ter um valor justo menor. Com isso, a captação por meio de emissão de novas ações para o banco Inter pode render menos que o esperado.

Por outro lado, a reestruturação societária permitirá que a instituição financeira capte recursos mantendo o controle acionário, como determinado pelo Banco Central.

As ações serão emitidas em duas classes A e B. Dessas, a classe A serão as lastreadas em BDRs (Brazilian Depositary Receipts) e com direito a um voto por papel. Já a classe B será mantida para o acionista controlador do Inter e dá direito a dez votos.

Após a conclusão da reorganização societária, o controlador do Inter, passará a ter o controle da Inter&Co. Por sua vez, a empresa deve manter o controle indireto do do banco por meio das ações classe B. Com isso, a mudança de cenário pode ser positiva visto que a captação de recursos por meio da emissão de novas ações no Brasil não seria possível.

O que acontece com as ações no Brasil

Após esta sexta-feira, as ações deixam de existir na bolsa brasileira. Nas datas entre 13 e 20 de maio, os acionistas tiveram a opção de trocar os papéis por BDRs do banco ou se desfazer do ativo e receber o valor em dinheiro, por meio do chamado cash-out. Portanto, para os investidores que optaram receber os títulos, a troca será automática.

Já para quem optou pelo cash-out, o pagamento seria de R$ 19,35 para cada unit, composta por duas ações preferênciais (BIDI4) e uma ordinária (BIDI3), e R$ 38,70 por seis ações preferenciais e/ou ordinárias. O limite  para a retirada era de R$ 1,131 bilhão, valor equivalente a 10% do total das ações em circulação. No dia 20 de maio, esse valor foi ultrapassado e o banco teve que fazer um rateio.

Caso o acionista tenha perdido o prazo para escolher entre as opções, deverá receber automaticamente BDRs da companhia. Segundo o próprio banco Inter, quem tiver as recibos poderá trocar por ações das empresas listadas na Nasdaq, bolsa americana.

O cronograma dessa restruturação societária ficou assim estabelecido:

  • Sexta-feira, 17 de junho: último dia de negociações dos papéis na B3
  • Segunda-feira, 20 de junho: conversão da empresa da B3 para a Nasdaq
  • Quinta-feira, 23 de junho: listagem das ações da Inter&Co na Nasdaq

Visão do Mercado

O ano de 2022 não tem sido fácil para o banco Inter (BIDI11) que acumula uma queda de 62,52% no papéis negociados na bolsa.

Porém os dados compilados pela Refinitiv e apresentados na plataforma TradeMap mostram recomendação unânime de compra para o papel.

Todos os nove analistas consultados indicam a aquisição do ativo, que tem uma valorização potencial de 203,52%, baseado na mediana do preço-alvo de R$ 32,00.

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