Banco do Brasil (BBAS3) mira em fintech brasileira após investir R$ 11 milhões em startup de cripto

Investidas em empresas de tecnologia fazem parte de programa com orçamento de R$ 200 milhões

Foto: Shutterstock/rafapress

Após anunciar o investimento de R$ 11 milhões na Bitfy, startup com foco em blockchain e criptoativos, nesta quinta-feira (10), o Banco do Brasil (BBAS3) está perto de anunciar a nova aposta em uma fintech brasileira que já opera no mercado. Desta vez, o foco está em soluções de pagamentos digitais.

Segundo Pedro Bramont, diretor de Negócios Digitais do BB, os últimos pontos do acordo estão sendo negociados entre as partes. O valor do novo investimento não foi revelado.

As investidas do banco em empresas de tecnologia fazem parte do planejamento do Peis (Programa Estratégico de Investimentos em Startups), criado em 2021, com orçamento inicial de R$ 200 milhões. Até o momento, foram despendidos cerca de R$ 65 milhões.

Os investimentos são feitos por meio do BB Impacto ASG, fundo de Corporate Venture Capital do Banco do Brasil, que desde janeiro atua sob a responsabilidade da VOX Capital.

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O programa tem foco em startups que possam acelerar áreas que o banco não domina, como o setor de tecnologia, com foco em explorar meios que possam gerar retorno via novos produtos aos clientes ou pela otimização de procedimentos internos.

“Temos três grandes eixos prioritários: buscar startups que tenham produtos e serviços que possam ser adicionados ao nosso portfólio, novas tecnologias que façam sentido e modelos que aumentem a nossa eficiência e reduzam nossos riscos”, explicou Bramont, à Agência TradeMap.

Banco do Brasil vai disponibilizar criptos aos investidores?

É justamente o knowhow na área de criptos que está por trás do novo investimento do banco. A startup, que Bramont classificada como uma deeptech – como são chamadas empresas cujo domínio da tecnologia é um elemento chave -, vai contribuir para a aprendizagem dos técnicos do BB no segmento de blockchain.

“A nossa ideia é que [a Bitfy] seja um motor de aceleração para a construção de soluções em blockchain”, diz. “A partir de  um momento em que tenho um parceiro especialista e focado, que domina a tecnologia, obviamente eu vou conseguir construir soluções.”

A aproximação com a Bitfy também é um passo à frente que o BB dá em direção à liberação de criptoativos para os investidores do varejo, apesar de ainda não haver confirmação de quando o bancoi vai entrar nessa seara.

Mesmo assim, o sinal indica a preocupação da entidade com o avanço de outros “bancões” e fintechs no novo mercado. Apenas neste ano, BTG Pactual, Nubank, XP e PicPay lançaram as suas próprias corretoras ou disponibilizaram em suas plataformas a venda e a compra direta de criptoativos aos clientes.

“Estudamos continuamente quais novos produtos de investimento podemos oferecer. Obviamente estamos acompanhando o mercado de cripto, estudamos esse mercado, quais os riscos, os benefícios e que tipo de cliente está investindo”, afirma Bramont.

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Outra opção que se torna mais próxima com a parceria com a Bitfy seria a oferta de ativos tokenizados. O modelo de negócio já está sendo empregado pelo Itaú, que em julho inaugurou a área de Digital Assets, com foco específico nesses novos modelos de negócios.

No momento, o banco está fazendo testes de forma restrita, com previsão de lançar opções para toda a base de correntista a partir de 2023.

Segundo Bramont, omodelo “é uma avenida interessante para se explorar”, mas ainda depende de regras mais claras para o setor. “A gente não pode esperar a regulação estar publicada para começar a se mexer. Nosso investimento e nosso programa de venture capital são para isso também, para explorar e experimentar”, complementa. 

Atualmente, o Banco do Brasil atua no setor de criptoativos pelo fundo BB Multimercado Criptoativos Full IE. A opção, destinada a investidores pessoas física qualificados, foi lançada em junho e amarga queda de 50%, reflexo da crise do mercado após as cotações atingirem recordes no fim do ano passado.

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