Azul (AZUL4) lucra com alta do real no 1º trimestre e espera recuperação total em 2023

Receita segue aumentando e expectativa é de retomada total das operações no ano que vem, diz Azul em comunicado

Foto: Divulgação / Azul

A Azul registrou melhora no resultado operacional no primeiro trimestre e terminou o período com lucro de líquido de R$ 2,6 bilhões – após prejuízo um ano antes. No entanto, o bom resultado final foi reflexo dos efeitos do câmbio sobre instrumentos financeiros da empresa.

Descontando este e outros fatores pontuais, a Azul teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 808,4 milhões, 24,4% menor que a perda de R$ 1,06 bilhão observada no primeiro trimestre de 2021.

A receita líquida da Azul cresceu 74,9% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2021, para R$ 3,19 bilhões. A maior parte do faturamento veio do transporte de passageiros – R$ 2,84 bilhões, alta de 77,9% na mesma base de comparação-, enquanto a área de cargas trouxe R$ 350 milhões de receita para a companhia aérea – aumento de 53,4%.

No lado dos passageiros, a empresa atribuiu o crescimento da receita à recuperação da demanda tanto das viagens de lazer quanto das de negócios, acrescentando que isso “permitiu aumentar gradualmente as tarifas”. No segmento de cargas, a Azul também apontou aumento na demanda como a responsável pela expansão na receita.

A Azul, no entanto, registrou crescimento ainda mais rápido nos gastos com combustíveis – algo semelhante ao ocorrido com a Gol, sua concorrente. O valor destas despesas praticamente dobrou no primeiro trimestre, atingindo R$ 1,18 bilhão.

A alta, segundo a Azul, ocorreu “devido a um aumento de 57,0% no preço do combustível de aviação por litro e um aumento de 26,4% na capacidade total”.

Outros gastos tiveram crescimento relevante, mas bem menos intenso – as despesas comerciais e com marketing, por exemplo, subiram 47,4%, para R$ 126,9 milhões, enquanto as de manutenção aumentaram 56,8%, para R$ 147,2 milhões.

No total, os custos e despesas operacionais da Azul cresceram em ritmo menor que o da receita – em 53,1%, para R$ 3,12 bilhões -, o que fez com que a companhia aérea registrasse resultado operacional positivo, de R$ 70,7 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante um resultado negativo de R$ 214,1 milhões um ano antes.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 4,5 vezes na mesma comparação, para R$ 592,7 milhões.

Azul espera recuperação total em 2023

A Azul afirmou que, no segundo trimestre, deve alcançar níveis recorde tanto para a receita operacional quanto para o Rask, o índice que mede quanta receita a companhia gera por assento e por quilômetro percorrido.

“As tarifas estão em níveis recordes, muito acima de 2019”, ano que antecedeu a pandemia de Covid-19, disse o executivo-chefe da companhia, John Rodgerson, em comunicado.

“Em comparação com 2019, a receita corporativa recuperou mais de 120%, enquanto o tráfego corporativo ainda está em 71% dos níveis pré-pandemia, indicando mais espaço para melhoria”, acrescentou.

A Azul também disse que possui dinheiro em caixa – R$ 3,3 bilhões, nível maior que o observado em 2019 – e que gerou mais de R$ 500 milhões em fluxo de caixa operacional no primeiro trimestre deste ano, o que abre espaço para uma redução paulatina do endividamento.

Ao fim do primeiro trimestre, a dívida da Azul era equivalente a 7,8 vezes o Ebitda acumulado nos últimos 12 meses. A previsão da companhia é terminar este ano com um índice de 5,0 vezes, que cairá a 4,0 vezes no ano que vem e a 3,0 vezes em 2024.

Para 2022, a Azul espera aumentar sua capacidade em 10% em relação a 2019 e atingir um Ebitda de R$ 4 bilhões, excluindo itens não recorrentes.

“Considerando nossa estratégia de crescimento da capacidade, acreditamos que em 2023 estaremos com nossas operações totalmente recuperadas. Em conjunto com o crescimento contínuo da receita, nossas iniciativas de redução de custos e um ambiente competitivo racional, esperamos gerar EBITDA de pelo menos R$ 5,5 bilhões em 2023”, afirmou.

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