Gol (GOLL4) volta a lucrar no 1º trimestre, mas ainda sente o peso de custos altos

Resultado da Gol foi puxado principalmente por ganhos com operações financeiras durante o período

Gustavo Nicoletta

Gustavo Nicoletta

O lucro líquido da Gol somou R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre, um resultado diametralmente oposto ao observado em igual período do ano passado, quando a companhia aérea amargou prejuízo de R$ 2,5 bilhões.

Os bons resultados deste ano, porém, foram motivados principalmente por ganhos com operações financeiras, visto que a empresa ainda sente o peso do aumento nos custos – principalmente com combustíveis – e registra uma margem de lucro positiva, mas baixa – de 2,4%. 

Segundo os dados da Gol, a receita líquida mais que dobrou no primeiro trimestre em relação a um ano antes, passando de R$ 1,6 bilhão para R$ 3,2 bilhões. O aumento, porém, impressiona menos quando se observa que as despesas operacionais cresceram 50,4% na mesma comparação, para R$ 3,1 bilhões.

Só o gasto com combustível de aviação no primeiro trimestre chegou a R$ 1,2 bilhão – superando em 113% o valor registrado nos primeiros três meses de 2021.

Com isso, o resultado operacional da Gol (receita menos despesas) foi de R$ 77,1 milhões, bem melhor que o do mesmo período do ano passado (prejuízo de R$ 523 milhões), porém ainda baixo.

O verdadeiro ganho da Gol no período veio dos resultados de operações financeiras conduzidos pela empresa, que somaram R$ 2,6 bilhões aos resultados. No primeiro trimestre de 2021, esta linha do balanço havia prejudicado o resultado geral, dado que a empresa perdeu R$ 1,9 bilhão com estas operações naquele período.

O resultado recorrente da Gol – que exclui esta distorção e outros impactos pontuais – mostra que o resultado líquido da empresa após estes ajustes foi um prejuízo de R$ 690 milhões, número 22,6% inferior à perda de R$ 892 milhões registrada no primeiro trimestre de 2021.

A receita unitária de passageiros (PRASK) subiu 47,2% no primeiro trimestre, para R$ 0,2979.  O câmbio médio do trimestre ficou em R$ 5,23 por dólar, alta de 4,4% na comparação anual, enquanto o preço por litro de combustível, maior custo operacional da companhia, foi de R$ 4,48, uma elevação de 60,6% ante igual período de 2021.  

Ao final do trimestre, a empresa tinha uma frota operacional média de 101 aviões, que exclui aeronaves subarrendadas em MRO.  

Aumento nas despesas era esperado

Os resultados da Gol devem surpreender pouco os especialistas, que já esperavam um grande impacto do aumento no preço dos combustíveis sobre os resultados da companhia.

O BTG Pactual previa que a empresa apresentasse uma receita líquida um pouco menor – de R$ 3,13 bilhões -, e um lucro líquido muito mais baixo – de R$ 930 milhões.

Ainda assim, a tendência prevista pelo banco se confirmou no balanço, com aumento nos voos e na demanda por viagens domésticas diante da diminuição dos casos de Covid-19.

“Olhando para o futuro, esperamos que o tráfego doméstico e internacional se recupere para níveis pré-Covid no final do ano e no próximo ano, respectivamente. Em suma, continuamos a preferir empresas com maior exposição ao mercado doméstico, como a Gol, que também possui um valuation mais atraente do que seus pares locais”, disse o BTG Pactual em relatório divulgado antes do balanço da companhia aérea.

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