Um mau-humor global tomou conta de todos os mercados ao redor do globo nesta segunda-feira (13), incluindo o Ibovespa, causado por uma inflação global acrescida pelo aumento dos juros que causam um movimento de aversão ao risco. Caso a queda do principal índice da B3 se confirme, será a sétima sessão consecutiva de perdas.
Por volta de 13h15, o Ibovespa recuava 2,12%, aos 103.198 pontos, pressionado por praticamente todos seus ativos, com destaque para o setor de empresas aéreas e de turismo, que recuavam com mais intensidade no pregão.
No mesmo horário, Gol (GOLL4) recuava 12,48%, Azul (AZUL4) caía 9,69% e CVC (CVCB3) perdia 8.50%. De acordo com Vitorio Galindo, analista de investimentos e head de análise fundamentalista da Quantzed, a queda acentuada dessas empresas acompanha a alta do dólar no dia.
Segundo dados da plataforma do TradeMap, a moeda americana subia 2,72% na comparação intradia, sendo negociada a R$ 5,15. Para Galindo, o dólar alto prejudica essas empresas porque seus custos são todos dolarizados e, juntamente com uma alta do petróleo tipo Brent no mercado internacional, o combustível das aeronaves fica mais caro.
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“O poder de compra do consumidor diminui, a passagem fica mais cara, o custo para gastar fora do Brasil também fica pressionado”, acrescenta.
O sentimento de aversão ao risco vem desde sexta-feira (10), quando foi divulgado o CPI, como é chamado o principal medidor de inflação nos EUA. O indicador acelerou o ritmo de alta em maio para 1%, de 0,3% em abril, e mexeu com as expectativas dos investidores para os juros americanos.
Segundo dados do CME Group, os investidores agora enxergam mais de 50% de chance de a taxa básica do país passar de 2% em julho. Antes, a aposta majoritária era de que ela ficasse abaixo deste nível. Atualmente, os juros dos EUA operam na faixa de 0,75% a 1,00% ao ano.
Nesta segunda, os juros americanos, os treasuries, como são chamados, com vencimento em dois anos avançam 15 pontos-base, atingindo 3,2%, o maior patamar desde outubro de 2007.
“O movimento negativo que vemos aqui vem lá de fora, em grande parte. Com os juros subindo bem nos EUA, nossa curva de juros também abre bastante, o que acaba refletindo nas ações”, destaca Galindo, da Quantzed.
De acordo com dados retirados da plataforma TradeMap, todos os contratos para juros futuros apresentavam subida na sexta. O contrato com vencimento em 2023 disparava 23 pontos-base, atingindo 13,55%, enquanto os para 2025 e 2028 subiam 20 e 17 pontos-base, respectivamente, chegando a 12,67% e 12,72%.
Ademais, a alta nos juros por aqui também afeta empresas sensíveis a taxa, como as de tecnologia e aquelas mais expostas à economia doméstica. Locaweb (LWSA3) recuava 7,92%, Méliuz (CASH3) perdia 7,84%, Petz (PETZ3) caía 7% e Via (VIIA3) desvalorizava 6,71%, por exemplo.
A maior preocupação dos investidores é de que um aumento acelerado nos juros nos EUA eleve também a probabilidade de uma recessão por lá, com consequências negativas para outras economias.
Contudo, para o Itaú Unibanco, em relatório publicado nesta segunda-feira, os riscos de uma recessão iminente “parecem exagerados”, considerando um “crescimento resiliente” nos principais mercados globais.
A instituição financeira acredita que o continente europeu está conseguindo crescer mesmo com a guerra na Ucrânia persistindo, e vê com bons olhos a reabertura econômica na China após os lockdowns recentes no país. No cenário americano, mesmo vendo as pressões inflacionárias puxarem mais altas de juros, a confiança dos empresários continuou firme em maio, indicando um bom momento para a economia do país.
“No entanto, esses fatores não devem trazer um alívio significativo e duradouro para preços de ativos, uma vez que a inflação elevada irá levar a maiores taxas de juros nos Estados Unidos e na Europa”, acrescenta o Itaú Unibanco.
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As poucas altas do pregão
Apenas três papéis subiam no pregão — Cielo (CIEL3), Energias do Brasil (ENBR3) e BB Seguridade (BBSE3) operavam em alta de 1,59%, 1,17% e 0,37%, respectivamente.
A empresa de maquininhas foi tema de um relatório recente do BTG Pactual, que aumentou seu preço-alvo para a companhia no fim de 2022 de R$ 4 para R$ 5, vislumbrando “volumes mais fortes que o esperado e uma dinâmica de preços mais favorável” para a companhia no futuro.
“Esses fatores nos levam a acreditar que ainda há uma vantagem da Cielo em relação aos concorrentes”, comentam os analistas do banco, destacando que, desde o início do ano, os papéis já valorizaram cerca de 65%.
De acordo com os analistas, o volume total de pagamentos (TPV) processados por empresas de cartões superou as expectativas no primeiro trimestre deste ano.
Bolsas internacionais
No cenário externo, os principais índices acionários estendiam as perdas da última semana com os temores de inflação e alta de juros nos EUA e na Europa. Nos Estados Unidos, os investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação ao produtor na terça-feira (14) e a divulgação da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira (15).
Em Wall Street, o Dow Jones caía 2,11%, o S&P 500 perdia 3% e o índice Nasdaq recuava 3,73%. Na Europa, o foco está no pronunciamento do Luis De Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu, após a instituição ter indicado subidas de juros no segundo semestre no continente.
Enquanto isso, as Bolsas já perto do fechamento caíam em bloco. O Euro Stoxx 50 recuava 2,28%, o FTSE 100 perdia 1,49% e o DAX desvalorizava 2,39%.