A Oi (OIBR3), apesar de ter deixado para trás um processo de recuperação judicial que durou seis anos, ainda não é uma ação para o investidor encarar como uma oportunidade, na avaliação da equipe de analisas do banco de investimentos UBS BB.
Em relatório enviado a clientes neste início de semana, os profissionais ressaltam que a empresa ainda tem problemas importantes para resolver. Eles lembram que a Oi deixou a recuperação judicial com uma dívida bruta de R$ 22 bilhões e um nível de alavancagem financeira — indicador que mede o quanto a dívida líquida supera a geração de caixa em 12 meses –, que está em mais de 10 vezes.
Além disso, o UBS BB destaca que a empresa ainda não tem um acordo definitivo com os credores e está envolvida em uma disputa com as empresas que compraram os seus ativos móveis — Vivo, Claro e Tim –, que reivindicam R$ 3,5 bilhões referentes a um ajuste no valuation do negócio.
Apesar de a ação da Oi acumular uma queda de 77% nos últimos seis meses, os analistas do UBS BB avaliam que o ativo ainda não chegou a um preço que represente uma oportunidade para investidores.
Eles argumentam que o múltiplo EV/Ebitda da Oi — que calcula o quanto o valor da firma (EV, em inglês) supera a geração de caixa em 12 meses (Ebitda) — está em 15 vezes. Quanto maior essa proporção, pior, porque indica que a ação está cara.
Para piorar, o UBS também cortou o preço-alvo da Oi, de R$ 6 para R$ 1,35, uma diminuição de 78%, alegando que a empresa está mais alavancada e tem dificuldades para reduzir o indicador apenas com a geração de caixa.
Por volta das 14h, a ação da empresa era negociada a R$ 1,32 em alta de 3,13%.
Segundo estimativas do UBS-BB, a Oi só voltará a ter um fluxo de caixa positivo em 2026. A previsão é que indicador seja de R$ 721 milhões. Para este ano, deve ficar negativo em R$ 1,4 bilhão.
As estimativas incorporam o negócio da torre Highline, que deve trazer um alívio de caixa de R$ 1,7 bilhão no curto prazo. E, mesmo após um terceiro trimestre fraco, os analistas estimam uma margem Ebitda de 23% também no curto prazo, impulsionada pela melhoria da receita média por usuário na operação da Fibra.
Quanto à V.Tal, negócio no qual a Oi vendeu uma participação, com R$ 8,1 bilhões em frutos para a companhia, o UBS BB avalia que dificilmente a transação será monetizada no curto prazo, apesar de ter elevado a projeção para o Ebitda da operação em 2023, com 40% de margem, contra R$ 1,5 bilhão na estimativa anterior.
“E a V.Tal tem dois outros pontos positivos: a injeção de R$ 2,5 bilhões [do fundo canadense] CPPIB (o que reduz a urgência de um IPO) e um mandato de crescimento mais flexível, que pode incluir aquisições e reduz o retorno dos investimentos”, escreveram os analistas Leonardo Olmos, André Salles, Lucas Chaves.
Para a Oi, no entanto, o banco vê dois pontos negativos. Um IPO adiado para a V.Tal atrasa a capacidade de monetização da participação da companhia. E, pelo menos em 2023, o regulador dificilmente autorizará a Oi a reduzir sua fatia na empresa para abaixo de 20% (atualmente é de 30%), uma vez que a V.Tal possui os principais ativos para administrar a concessão de telefonia fixa.