O Ibovespa fechou no campo positivo pela primeira vez no ano nesta quarta-feira (4), impulsionado pela Petrobras (PETR4; PETR3) e pelo bom humor dos mercados internacionais.
Na cena doméstica, os investidores repercutiram positivamente às falas do indicado à presidência da estatal, Jean Prates, de que não haverá intervenção direta nos preços dos combustíveis.
O humor também foi reforçado pelas declarações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmando que o governo não está avaliando mudanças nas reformas.
Com isso, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o pregão em alta de 1,12%, aos 105.334 pontos e R$ 20,55 bilhões em volume negociado.
O resultado diminui a queda do Ibovespa acumulada desde o início do ano para 4%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
Petrobras consolida alta
Após operar no campo negativo com a notícia da saída de Caio Mário Paes de Andrade da diretoria e conselho da empresa, a Petrobras inverteu com as declarações de Prates, negando que haverá interferência do governo nos preços da companhia.
O indicado à presidência também tranquilizou o mercado ao afirmar que a empresa não tem a intenção de gastar com a construção de novas refinarias, um dos principais temores dos investidores.
O cenário positivo fez os papéis preferenciais fecharem em alta de 3,18%, enquanto os ordinários encerraram a sessão subindo 1,67%.
“A Petrobras subiu bem e só não subiu mais porque o petróleo cai 4% lá fora. O discurso de Prates foi forte e de acordo com o que o mercado gosta de ouvir. Disse que não vai ter intervenção nos preços da gasolina, o que os investidores viram de forma muito positiva”, diz Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos.
Os contratos futuros do barril de petróleo tipo Brent, usado como referência na maior parte do mundo, caíram 5,6% nesta quarta, cotados a US$ 77,90, segundo informações da ICE.
A alta do dia, porém, foi liderada pela Natura (NTCO3), com avanço de 8,89%. No pódio das que mais subiram, CVC (CVCB3) e Pão de Açúcar (PCAR3) ganharam 6,78% e 4,89%, nesta ordem.
O mercado também arrefeceu o temor após o ministro da Casa Civil declarar que não haverá mudanças nas reformas aprovadas pelos governos anteriores, sobretudo da Previdência.
A indicação acontece após o ministro da Previdência, Carlos Lupi, acirrar os ânimos dos investidores ao criticar as mudanças aprovadas no governo de Jair Bolsonaro (PL) e indicar intervenções no texto.
Ata do Fed no radar
Investidores em todo o mundo também digeriram a ata da última reunião do Fomc (o comitê de política monetária do BC americano) sobre a última reunião de dezembro, que encerrou com o aumento dos juros para a banda de 4,25% e 4,50%.
Os responsáveis pela política monetária da maior economia do mundo voltaram a afirmar que esperam os juros pressionados por mais tempo, cenário que já havia sido exposto no fim do ano passado. O Fed estima encerrar o ano com os juros ao redor de 5%.
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O banco central americano ainda aumentou a projeção para a taxa básica de juros no fim do ciclo em 2023 de 4,6% para 5,1%, o que provocou a queda das bolsas.
Na ata divulgada nesta quarta-feira, os membros do Fed disseram que “manter a política [monetária] restritiva por um período sustentado até que a inflação esteja claramente em direção a 2% é apropriado do ponto de vista da gestão de risco.”
Os membros do Fed avaliaram que a inflação está em um patamar “inaceitavelmente alto”.
“O maior pessimismo do Fed resultará em mais aumentos de juros nos EUA, possivelmente três aumentos de 0,25% cada, que adicionarão 0,75% à taxa básica de juros neste ano. Deveremos observar um aumento de 0,25% já na reunião do comitê de política monetária de 31 de janeiro”, destacou Celso Pereira, diretor de Investimentos da Nomad.
Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,40%, enquanto S&P500 avançou 0,75% e a Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, setor mais sensível ao aumento dos juros, foi a 0,69%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 fechou o dia em alta de 2,36%.
Quedas do dia
No grupo de baixas do Ibovespa, a SLC Agrícola (SLCA3) liderou o tombo, com baixa de 1,84%. Segundo Cohen, a queda da empresa reflete o temor de parte do mercado sobre uma possível recessão que se avizinha, o que deve diminuir o apetite de empresas ligadas a commodities.
Ainda no grupo de quedas, apareciam PRIO (PRIO3) e Raízen (RAIZ4), com recuos de 0,61% e 0,60%, respectivamente.
Criptos
Seguindo a alta das bolsas globais, o mercado cripto engatou a primeira alta considerável do ano.
Apesar do sinal otimista, Ed Moya, analista sênior de mercado da Oanda, ressalta que a faixa de valorização para o Bitcoin ainda se mantém estreita.
“As tendências de desinflação podem estar melhorando na Europa, mas as perspectivas dos EUA estão ficando complicadas por um forte mercado de trabalho”, destacou,
Por volta das 17h10, o Bitcoin (BTC) registrava alta de 1,2% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 16.845, segundo dados da plataforma CoinGecko. Na mesma hora, o Ethereum subia 3,6%, a US$ 1.254.