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Ameaça a bancos e Bolsas, DeFi começa a remover intermediários no sistema financeiro

Ameaça a bancos e Bolsas, DeFi começa a remover intermediários no sistema financeiro

Brasil começa a ver alguns exemplos do que as "finanças descentralizadas" podem fazer, como a transformação de debêntures em ativos digitais

montagem com a palavra DeFi em fundo poligonal abstrato

Foto: Shutterstock

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O advento do blockchain permitiu a confirmação de operações financeiras sem uma autoridade central que valide os dados e abriu caminho para um sistema cujas transações e investimentos podem ser feitos de forma descentralizada, colocando em risco os modelos de negócio de bancos e de operadoras de Bolsas.

As “finanças descentralizadas”, ou DeFi, já começam a dar os primeiros passos neste sentido, inclusive no Brasil, segundo especialistas que participaram nesta quinta-feira (4) da Expert XP 2022, realizada em São Paulo.

Marcos Viriato, executivo-chefe e cofundador da ParFin, citou como exemplo a transformação de debêntures em ativos digitais, chamados tokens, ocorrida em julho, com o apoio da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão que regula o mercado financeiro do país.

A diferença entre a emissão “tokenizada” e a tradicional é que, em primeiro lugar, o investidor pode comprar o ativo direto da “tokenizadora”, sem passar por um banco ou uma corretora. Além disso, em vez de as informações sobre quem detém os títulos, quem comprou e quem vendeu ficarem depositadas na B3, são registradas em vários lugares diferentes.

Viriato diz que a mesma lógica das debêntures pode ser replicada futuramente no mercado de ações, e que já há iniciativas neste sentido.

“As empresas que não podem fazer IPO (oferta pública inicial de ações) ‘tokenizam’ e vendem num mercado regulado. Está acontecendo agora. Pequenas empresas acessando formas de se financiar”, afirmou.

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Bancos também estão na mira do DeFi

As finanças descentralizadas também podem contribuir para baixar os custos de empréstimos e de outros produtos que hoje são oferecidos por bancos e outras instituições financeiras de grande porte.

A lógica é a mesma: sem um intermediário, a tendência é de preços menores e de um mercado mais acessível a quem precisa desses produtos.

As modalidades de crédito também podem ficar mais flexíveis, segundo Viriato.

“Imagine que você tem ações da Petrobras. Não quer vender, porque acha que preço vai chegar a R$ 100, e tem R$ 1 milhão nestes papéis, mas precisa tomar um empréstimos. Você pode ‘tokenizar’ em um protocolo DeFi, e usar parte dessa posição como colateral”, afirmou.

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O mercado, no entanto, ainda precisa amadurecer para chegar nesse estágio, visto que, no momento, ainda há muita complexidade envolvida na produção dos protocolos e regras que devem ser adotadas nessas operações.

Luis Ayala, da Bitgo para a América Latina, ressalta que o consumidor precisa entender exatamente o que está contratando no universo DeFi para evitar imprevistos depois.

Ele citou como exemplo uma situação prática, em que um cliente carrega créditos num aplicativo de estacionamento e ganha pontos que podem ser convertidos em descontos nas mensalidades. “Pontos não são dinheiro. É o estacionamento que decide o que fazer com eles. Podem tirar de você”, afirmou.

E essa mesma lógica se aplica aos contratos de DeFi. Cada um deles possui uma lógica própria, que pode variar muito atualmente dada a falta de regulação sobre este mercado.

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