Ações da Europa sobem após dados da China reforçarem tese de desaceleração econômica

Receio de economia mais fraca diminui aposta em alta acentuada nos juros

Foto: Shutterstock

Os principais índices do mercado de ações da Europa terminaram o pregão desta quarta-feira (7) em alta, em sua maioria. Paradoxalmente, o motivo para isso foi a divulgação de um indicador mais fraco que o esperado vindo da China.

O país asiático publicou que em agosto as importações aumentaram só 0,3% em agosto em relação a um ano antes – uma forte desaceleração em relação ao mês anterior, quando houve alta de 2,3%. As exportações cresceram 7,1% no mês passado, bem menos que os 18,0% registrados em julho.

“Quando a China espirra, o mundo em geral pega um resfriado – e esta é precisamente a forma como os mercados têm reagido até agora”, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da corretora britânica City Index. “Estes dados sobre o comércio se somam a uma lista crescente de preocupações sobre a saúde da economia global”, acrescentou.

Para o UBS, os números sobre as exportações da China refletem muito mais a desaceleração na demanda global por bens duráveis do que os gargalos de produção do país.

Os dados negativos sobre a economia global, no entanto, serviram para diminuir a preocupação dos investidores com um outro fator – a arrancada nos juros.

A alta nos juros é má notícia para o mercado de ações. Quando as taxas sobem, fica mais caro para as empresas se endividarem, e o consumo tende a diminuir. Os dois fatores são obstáculos ao crescimento no lucro das companhias e reduzem o apelo dos investimentos em renda variável.

Um dos motivos que levaram os bancos centrais a aumentar as taxas ao longo deste ano foi a disparada nos preços das commodities e a inflação resultante deste movimento. Com o cenário mais sombrio para a economia, a tendência é que o preço destes produtos caia – como acontece hoje com o petróleo – e diminua a pressão para que os juros continuem subindo.

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Amanhã, o BCE (Banco Central Europeu) anunciará sua decisão de política monetária, e o mercado estará atento a como a presidente da instituição, Christine Lagarde, delineará o cenário econômico e as potenciais reações da instituição à piora das expectativas sobre o crescimento.

No momento, os especialistas estão divididos. Parte do mercado acha que o BCE vai anunciar um aumento de 0,50 ponto porcentual nos juros europeus, e o restante espera uma alta mais acentuada, de 0,75 ponto porcentual.

O índice acionários Euro Stoxx 50, que inclui as 50 maiores empresas europeias, fechou em alta de 0,2%. O DAX-30, da bolsa de Franfkurt, avançou 0,4%, e o CAC-40, de Paris, fechou praticamente estável.

Libra despenca

Vale destacar também, nesta quarta-feira, que a libra, moeda do Reino Unido, caiu para o menor nível desde 1985 em relação ao dólar. O motivo para isso foi o fato de o economista-chefe do banco central da Inglaterra, Huw Pill, afirmar que as medidas do governo para congelar a conta de luz poderia desacelerar a inflação no país.

O comentário foi interpretado como um sinal de que o banco central pode ficar menos inclinado a aumentar os juros de forma agressiva no Reino Unido. O Banco da Inglaterra anunciará a decisão sobre os juros na semana que vem.

“Com a inflação atualmente em 10.1% ao ano, estes comentários pareceram bem complacentes, especialmente porque os preços ao produtor, que tendem a ser um indicador antecedente de inflação, estão em níveis bem mais altos”, disse o analista-chefe de mercados da corretora britânica CMC, Michael Hewson.

O índice acionário FTSE-100, da bolsa de Londres, caiu 0,86%.

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