Acionista da Renner (LREN3) vende R$ 31,5 milhões em ações após empresa sofrer com inverno

Com a venda, a participação do acionista na Renner caiu para 4,88%

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

A Lojas Renner (LREN3) informou ao mercado nesta quinta-feira (24) que um de seus principais acionistas, o Grupo Schroders, decidiu vender R$ 31,5 milhões em ações da companhia.

Segundo o comunicado, o acionista vendeu 1,302 milhão de ações da varejista na quarta-feira (23). A preços do fechamento de ontem (R$ 24,22), o volume equivale a R$ 31,5 milhões.

Com a operação, a participação do grupo na Renner caiu para 4,88%, com 48,4 milhões de ações ordinárias. Antes, o acionista tinha 49,7 milhões de ações, que correspondiam a uma fatia de 5,01%.

O anúncio ocorre três semanas depois de a companhia publicar um balanço para o terceiro trimestre que mostrou uma desaceleração no crescimento das vendas, com o impacto de um inverno atípico nos resultados.

Embora o lucro líquido da companhia tenha crescido acima da expectativa de analistas de mercado no terceiro trimestre, a um ritmo de 50% ante igual período do ano passado, para R$ 257,9 milhões, os investidores reagiram mal no dia seguinte e a ação fechou o pregão em queda de 4,2%.

De lá para cá, a desvalorização é ainda maior, de 16%.

Vendas da Renner desaceleram

No terceiro trimestre, as vendas da Renner cresceram em ritmo mais lento. No critério “mesmas lojas”, sem considerar as unidades abertas recentemente, o faturamento teve avanço de 7,9% ante igual período de 2021, que, por sua vez, havia crescido 35,9% ante o ano anterior. O ritmo de alta, portanto, ficou quatro vezes menor.

Segundo a companhia, isso se deve principalmente ao inverno prolongado, que tem dois efeitos na venda.

No primeiro efeito, como as temperaturas ficaram mais frias antes do esperado, parte das vendas de roupas de inverno – que normalmente ocorrem no terceiro trimestre – ocorreu no segundo trimestre. Essa antecipação se deu em 5% das vendas, estima a Renner.

No segundo efeito, como as temperaturas continuaram mais frias por mais tempo e se estenderam pelo terceiro trimestre, a coleção de roupas que marca a transição para a primavera vendeu menos que o normal.

Além disso, o resultado da operação de serviços financeiros despencou 74,5%, para R$ 19 milhões, após a Realize, o negócio de serviços financeiros da Renner, ter reduzido a expansão da carteira de crédito, como reflexo da maior inadimplência, do maior endividamento das famílias e do número de CPFs inadimplentes, “que atingiram patamares historicamente elevados”, disse a Renner.

A companhia ressaltou, contudo, que a financeira realizou uma venda de parte da carteira com prejuízo, anotando receita líquida de R$ 23,8 milhões. “Os novos créditos concedidos seguem apresentando uma melhor qualidade, enquanto as novas safras de recuperação seguem demonstrando uma melhor performance”, afirma a empresa.

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