Marfrig (MRFG3) é pressionada após prejuízo no 4º trimestre; ações voltam ao azul após forte queda

Companhia registrou prejuízo líquido de R$ 628 milhões entre outubro e dezembro de 2022

Foto: Shutterstock/T. Schneider

Após a apresentação dos resultados referentes ao quatro trimestre do ano passado na noite de quarta-feira (1º), a Marfrig (MRFG3) viu as ações da companhia registraram forte queda na manhã de hoje na B3. Os papéis da empresa chegaram a responder pelo segundo maior recuo do Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores. Por volta das 13h, porém, a ação já saía do vermelho, avançando 0,15%, a R$ 6,58.

O balanço da Marfrig mostrou um prejuízo líquido de R$ 628 milhões entre outubro e dezembro de 2022. O montante reverteu um lucro de quase a mesma proporção, de R$ 650 milhões, obtido no mesmo intervalo anterior.

Como esperado pelo mercado, a redução da oferta de gado nos Estados Unidos e a derrocada da BRF (BRFS3), na qual a Marfrig (MRFG3) tem participação superior a 30% da companhia, pressionaram os resultados da companhia no período. 

Em relatório, a XP afirmou que os resultados da empresa vieram em linha com as estimativas da corretora, mas não foram empolgantes. A corretora destacou que o recuo de 4,7% na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada nos EUA foi mais forte que o esperado. Na América do Sul, a queda foi de 8%. 

Dessa forma, foi estabelecida uma perspectiva negativa, caso a tendência continue, afirmou a corretora. “Mesmo acrescentando BRF ao seu resultado não foi suficiente para compensar a piora nos EUA, e, com uma perspectiva desafiadora para carne bovina e de frango no curto prazo, enxergamos uma tempestade perfeita se formando.”

Na avaliação dos analistas, os resultados da Marfrig se tornaram muito correlacionados com a operação nos Estados Unidos. Com isso, as margens de “um único dígito” poderiam levar a alavancagem da empresa a um nível “ainda mais desconfortável”. “Embora (essa) não seja nossa premissa. No entanto, inúmeras incertezas pairam no setor de carnes (gripe aviária, vaca-louca atípica) e se somam a um ambiente macro já desafiador.”

Segundo a XP, na América do Norte, os preços um pouco mais elevados levaram a receita líquida a ficar 3% superior às projeções da corretora, caindo 5% na comparação anual. “Devido a custos acima do esperado, o Ebitda ajustado ficou 3% abaixo de nossas estimativas em US$ 143 milhões (queda anual de 80%).”

Na América do Sul, os maiores volumes levaram a receita líquida a ficar 2% acima do estimado pela corretora, com o aumento de 9%, na comparação anual. “Embora não seja suficiente para compensar a queda nas margens dos Estados Unidos, o Ebitda ajustado mais que dobrou e ficou em R$ 529 milhões”

O BTG Pactual destacou que a Marfrig encerrou um ano forte, mas destacou o fato de o Ebitda ter ficado 10% abaixo da estimativa do banco, descartando o efeito da BRF, de R$ 1,2 bilhão, e 70% inferior na comparação anual, com margem 0,6% inferior às expectativas da corretora, apesar das vendas em linha de R$ 22,7 bilhões no período.

Daqui para frente, o banco espera uma combinação de perspectivas mais difíceis de geração de fluxo de caixa livre (FCF) no primeiro trimestre deste ano devido ao pagamento de bônus e recuo da margem da divisão da América do Norte, levando em conta um cenário mais complexo para aumentar o índice de alavancagem ao longo de 2023.

A instituição espera que as margens de carne bovina continuem caindo no primeiro trimestre deste ano, já que a oferta nos EUA deve recuar em “um dígito alto” este ano.

Ao longo dos últimos anos, a Marfrig se beneficiou de um cenário único no setor e aproveitou para reduzir o patamar de alavancagem e pagar dividendos, ressaltou o BTG. “Agora com a mudança de ciclo nos EUA, a menos que consigar reduzir o endividamento mais rápido do que prevemos  – a BRF melhora o indicador mais rapidamente do que as expectativas – tememos que o valor do acionista possa ser colocado em risco.”

O BTG mantém perspectiva neutra para a Marfrig e preço-alvo de R$ 10.

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