Investidores estrangeiros abandonam a B3 e causam déficit bilionário em 2024

Foto: Shutterstock/jira pliankharom

O ano de 2024 foi marcado pela fuga de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, resultando em um saldo negativo de capital externo. Ao final de dezembro, o fluxo acumulado de capital estrangeiro registrou um déficit de R$ 24,198 bilhões, destacando-se como o único ano a apresentar esse resultado negativo em comparação com os três anos anteriores. Em 2022, a B3 teve o melhor desempenho positivo, com a entrada de R$ 119,795 bilhões em investimentos externos. Já em 2023 e 2021, o saldo foi menor, mas ainda assim positivo, refletindo um cenário de maior confiança dos investidores.

Além disso, 2024 foi um ano de grande volatilidade, com a maioria dos meses registrando fluxos negativos de capital. Dos 12 meses, apenas quatro (julho, agosto, outubro e dezembro) apresentaram saldo positivo na entrada de investidores estrangeiros. No total, oito meses de 2024 registraram fluxo negativo, superando os seis meses negativos de 2023, os seis meses de 2021 e os dois meses de 2022, ano com o menor número de fluxos negativos. O mês de abril de 2024 foi o mais crítico, com a maior saída de capital, totalizando R$ 11,1 bilhões em resgates.

Os principais fatores que afastaram os investidores estrangeiros da bolsa brasileira foram a piora do cenário fiscal do governo, a alta do dólar e as mudanças na política monetária dos Estados Unidos, criando um ambiente de incerteza econômica. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o último pregão de 2024 estável, com uma leve alta de 0,01%, aos 120.283 pontos. No entanto, o índice registrou uma queda acumulada de 10,36% ao longo do ano.

O mercado financeiro brasileiro enfrentou pressão constante ao longo de 2024, especialmente com a expectativa da apresentação do pacote de contenção de gastos pelo governo federal. Desde o final das eleições, em 27 de outubro, investidores aguardavam um conjunto de medidas que garantissem a sustentabilidade do arcabouço fiscal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, divulgou o pacote no final de novembro, mas o anúncio gerou frustração entre os agentes econômicos. As medidas foram consideradas superestimadas, com o governo projetando uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. O anúncio da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil também gerou dúvidas sobre o cumprimento da política fiscal.

Os anúncios sobre o pacote fiscal aumentaram a incerteza no mercado, resultando na valorização do dólar, que superou a marca de R$ 6,00 durante o ano e fechou 2024 cotado a R$ 6,1923. A elevada cotação da moeda americana reflete a percepção de risco sobre a economia brasileira, agravada pela instabilidade política e fiscal.

No cenário internacional, as expectativas indicavam que o Federal Reserve iniciaria o afrouxamento monetário no primeiro trimestre de 2024. No entanto, esse processo só ocorreu em setembro, em resposta à persistente inflação. Em sua última reunião do ano, em 18 de dezembro, o Federal Reserve reduziu as taxas de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,25% a 4,50%, um ponto abaixo dos níveis de setembro. Essa medida visou combater a inflação persistente, em um contexto de pressão econômica, que também foi influenciado pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca, alterando a dinâmica dos mercados.

Com a continuidade da incerteza econômica, tanto interna quanto externa, a tendência é que o fluxo de capital para o Brasil continue pressionado. A aversão ao risco e a maior cautela com ativos de países com instabilidade política e fiscal tornam o Brasil um destino menos atrativo para os investidores estrangeiros.

Em 2024, o cenário de volatilidade e incertezas deixou claro que fatores políticos, fiscais e externos continuarão a moldar os fluxos de capital e o comportamento do mercado financeiro brasileiro.

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