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Retaliação chegou: China restringe contato diplomático com EUA após Pelosi visitar Taiwan

Retaliação chegou: China restringe contato diplomático com EUA após Pelosi visitar Taiwan

Medidas adotadas pelo gigante asiático restringem a troca de informações tanto em assuntos civis quanto militares

ilustração com bandeiras da China e dos Estados Unidos

Foto: Shutterstock

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A China cumpriu o prometido e adotou medidas contra os Estados Unidos após a presidente da Câmara dos Deputados do país, Nancy Pelosi, visitar a ilha de Taiwan. As medidas adotadas restringem a troca de informações entre americanos e chineses tanto em assuntos civis quanto militares.

Os chineses cancelaram as ligações telefônicas entre líderes militares dos dois países, assim como reuniões bilaterais em que são discutidos assuntos sobre segurança marítima. Também foi suspensa a colaboração da China com os Estados Unidos nas áreas de imigração ilegal, combate ao crime e mudanças climáticas.

A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse durante uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (5) que os Estados Unidos provocaram uma crise diplomática entre os dois países e que a visita de Pelosi a Taiwan foi uma “provocação grave”.

“A China fez tudo o que era possível diplomaticamente. Nós avisamos repetidamente os Estados Unidos, por meio de vários canais, da natureza grave e do dano severo desta visita. Deixamos claro que a China não assistiria a isso parada”, afirmou.

“Os Estados Unidos precisam se colocar no lugar dos outros. Se um estado americano quisesse se separar e declarasse independência, e alguma outra nação fornecesse armas e apoio político a este estado, o governo americano – ou o povo americano – permitiria que isso acontecesse?”, questionou Hua.

Embora as medidas inicialmente adotadas pela China tenham sido no âmbito diplomático, a porta-voz deixou claro durante a entrevista coletiva que Pequim está disposta a adotar ações mais duras se os Estados Unidos insistirem em uma aproximação com Taiwan.

“A China de agora não é a China de 120 anos atrás, e nos recusamos a ser tratados como Iraque, Síria e Afeganistão”, disse ela, acrescentando que quem tentar “oprimir” ou “subjugar” os chineses terá que enfrentar uma “grande muralha de mais de 1,4 bilhão de pessoas”.

Provocações militares já começaram

Na quinta-feira (4), a China disparou mísseis em direção a Taiwan, mas nenhum deles atingiu a ilha, que fica ao sudeste do país. Além disso, o exército chinês declarou sete áreas na região como restritas e prorrogou até segunda-feira (8) exercícios militares que estão ocorrendo perto do território taiwanês.

A China considera Taiwan uma de suas províncias e usa seu poderio comercial para evitar que outros países reconheçam a independência da ilha – exigindo, por exemplo, que quem exporta para o país não interfira em seu esforço de unificação territorial.

A visita de Pelosi, uma autoridade de alto escalão do governo dos Estados Unidos, a Taiwan nesta semana contraria os interesses da China ao reforçar a autonomia do governo taiwanês.

A Casa Branca, que inicialmente se mostrou contrária à ida da deputada à ilha, adotou uma posição diferente após os disparos de mísseis feitos pelos chineses.

O secretário de Estado, Anthony Blinken, disse mais cedo que os disparos foram “ações provocativas” e que elevam a ameaça chinesa a Taiwan a um “novo nível”.

“Os Estados Unidos transmitiram à China consistente e repetidamente que não buscamos e não provocaremos uma crise”, disse Blinken. “A China decidiu reagir exageradamente e usar a visita de Pelosi como pretexto para aumentar a provocação militar no estreito de Taiwan”, acrescentou.

Ele disse também que os Estados Unidos continuam não apoiando a independência de Taiwan, mas que vão demonstrar que apoiam a segurança de países aliados na Ásia – entre eles o Japão – “voando, navegando e operando onde quer que a lei internacional permita”.

“Quase metade de toda a frota de contêineres e cerca de 90% dos maiores navios do mundo passaram pelo estreito neste ano. Esta é apenas uma das razões pelas quais as ações de Pequim são tão problemáticas”, explicou Blinken.

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