O mercado de trabalho americano criou 372 mil vagas em junho, número muito acima do esperado pelo mercado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8) pela secretaria de estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos (BLS). Em maio, a criação de empregos somou 384 mil, segundo número revisado.
A taxa de desemprego da maior economia do mundo ficou estável em 3,6%, e o salário médio por hora aumentou 0,30% na comparação com maio, em linha com as expectativas dos investidores.
Analistas ouvidos pela Reuters esperavam um aumento de 268 mil vagas no mês passado. Logo após a divulgação dos dados, os índices futuros americanos aprofundaram as perdas: por volta das 9h45, o Dow Jones caía 0,15%, o S&P 500 recuava 0,44% e o Nasdaq estava em queda de 0,79%.
O payroll, como o número é conhecido, era aguardado com especial interesse pelos investidores, que querem saber se a economia americana está ou não perdendo fôlego.
O mercado já precificou uma recessão à frente na economia e busca sinalizações dos próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano, para os juros. Na ata da última reunião, a autoridade monetária indicou que o seu foco é combater a maior inflação em quatro décadas, mesmo que isso custe, lá na frente, o crescimento da atividade econômica do país.
Mas o documento foi considerado desatualizado pelo mercado, pois o encontro que elevou o ritmo de alta de juros para 0,75 ponto percentual aconteceu há quase um mês. De lá para cá, as quedas recentes nos preços das commodities e indicadores mais fracos de atividade foram divulgados, reforçando a percepção de que a economia já está desacelerando.
Os dados informados nesta sexta, entretanto, mostram uma força maior do mercado de trabalho em junho.
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Por que isso importa?
Juros mais altos nos EUA retiram a atratividade de ações ou de papeis de países emergentes, como o Brasil. Como a política monetária do Fed tem duplo mandato (inflação e pleno emprego), os dados de mercado de trabalho americano também são acompanhados com atenção.