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Europa quer cortar consumo de gás antes que Rússia a obrigue a fazer isso

Europa quer cortar consumo de gás antes que Rússia a obrigue a fazer isso

Plano da União Europeia é consumir menos gás natural agora para conseguir gerenciar escassez do combustível no inverno

duas bocas de fogão acesas

Foto: Shutterstock

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A União Europeia apresentou nesta quarta-feira (20) um plano para reduzir o consumo de gás natural e diminuir a influência da Rússia sobre a segurança energética da região.

A ideia inicial é que os países da União Europeia diminuam voluntariamente a demanda por gás natural em 15% entre agosto deste ano e março de 2023. Além disso, também será levado ao Parlamento Europeu um projeto de lei para que essa redução possa ser obrigatória se houver consenso entre os membros do bloco.

“A recente escalada nos problemas de fornecimento de gás da Rússia aponta para um risco significativo de uma completa e prolongada interrupção nos suprimentos de gás possa se materializar de forma abrupta e unilateral”, disse a União Europeia em um documento em que detalha as medidas.

“A ação coordenada, imediata e proativa em nível europeu pode evitar sérios prejuízos à economia e aos cidadãos decorrentes de uma interrupção no fornecimento de gás”, acrescentou.

Segundo a União Europeia, a adoção do plano durante o verão no hemisfério norte ajudaria a armazenar mais gás natural para ser usado no inverno – época em que o consumo do combustível sobe, principalmente por causa da necessidade de calefação.

A reação do mercado ao anúncio foi levemente negativa. Isso porque a possibilidade de os russos cortarem o suprimento de gás da Europa vinha sendo ventilada por autoridades europeias há alguns dias, e os investidores, portanto, haviam colocado na conta o risco de uma desaceleração econômica mais intensa na Europa.

Por volta das 10h50, o índice Stoxx 50, que reúne as ações de grandes empresas europeias, caía 0,78%, enquanto os preços do gás natural subiam apenas 0,3% no mercado futuro da ICE.

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As suspeitas de que a Rússia poderia interromper o fluxo de gás natural enviado à Europa começaram alguns dias antes de uma manutenção programada no Nord Stream. O gasoduto transporta gás natural entre as duas regiões e teve a operação suspensa em 11 de julho, com retomada prevista para o fim desta semana.

A União Europeia disse publicamente que achava provável o presidente da Rússia, Vladimir Putin, aproveitar a oportunidade para reduzir o fornecimento de gás, na tentativa de punir os países do bloco pela ajuda militar oferecida à Ucrânia. Os russos invadiram o território ucraniano no final de fevereiro, e começaram uma guerra que foi condenada tanto pela União Europeia quanto pelos Estados Unidos.

O receio com a queda no fornecimento de gás foi confirmado, segundo o banco holandês ING, após Putin afirmar que o fluxo de gás natural no Nord Stream poderia cair para 30 milhões de metros cúbicos por dia se uma turbina usada no sistema não fosse trocada a tempo. “Isso deixaria o Nord Stream operando a apenas 20% da capacidade”, afirmou o banco.

Vale ressaltar que cerca de metade dos 27 membros da União Europeia já estão sendo prejudicados pela oferta reduzida de gás natural da Rússia.

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