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Europa pode viver reprise econômica da década de 1970, diz BlackRock; entenda

Europa pode viver reprise econômica da década de 1970, diz BlackRock; entenda

Alta nos preços do petróleo pode ter efeito semelhante ao da crise de 1973

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Foto: Shutterstock

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O aumento nos preços da energia deve pesar sobre a economia da Europa e provocar um choque semelhante ao observado nos anos seguintes ao da crise do petróleo, em 1973. A avaliação é do BlackRock Investment Institute (BII), braço de análise de uma das principais gestoras de ativos do mundo.

Em outubro daquele ano, a Opaep (Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo) deixou de vender petróleo aos Estados Unidos e começou a cortar a produção gradativamente para elevar os preços do petróleo. A medida veio em retaliação ao apoio dos americanos a Israel na guerra do Yom Kippur.

Na época, o valor do barril quadruplicou, passando de US$ 2,90 por barril para US$ 11.65 num intervalo de três meses. Em março de 1974, o bloqueio das exportações da Oapep aos EUA terminou oficialmente, mas os preços maiores para o petróleo permaneceram.

A economia dos EUA foi uma das mais afetadas pela crise do petróleo, mas vários outros países também sofreram consequências negativas do petróleo mais caro. Na Europa, houve recessão nas principais economias em 1975, provocada em parte pelos efeitos decorrentes da alta nos preços da commodity.

gráfico com variação do PIB de Alemanha, França e Itália na década de 1970
A variação do PIB de Alemanha (azul), França (roxo) e Itália (verde) ao longo da década de 1970. O vale no gráfico refere-se a 1975, dois anos após o início da crise do petróleo. Fonte: Banco Mundial

A BII afirmou em relatório que enxerga semelhanças entre o que aconteceu naquele período e o contexto atual, principalmente no caso da Europa. “A guerra na Ucrânia provocou um salto nos preços da energia, colocando um limite sobre o crescimento e exacerbando a inflação. A Europa está mais exposta”.

Os preços do gás natural na Europa passaram dos picos mais recentes, observados em 2021, por causa da expectativa de que o continente possa receber um volume menor do combustível vindo da Rússia. Os russos foram alvo de várias sanções econômicas após invadirem a Ucrânia, e as medidas estão dificultando a exportação dos produtos do país.

Europa vai sofrer mais que EUA

O aumento recente nos preços da energia, segundo o BII, fez com que o percentual de despesas da Europa com energia atingisse níveis superiores aos observados na década de 1970. No caso dos EUA, esse indicador ainda está em níveis bem menores. “Por isso achamos que o impacto do atual choque nos preços da energia da Europa pode equivaler a episódios severos, como a crise do petróleo de 1973”, afirmou.

“Os EUA estão numa situação melhor, a nosso ver. O choque é menor do que em crises de energia anteriores e os americanos também tem um colchão muito de crescimento maior graças ao forte momento de recuperação – mesmo que parte da fraqueza europeia se espalhe”, acrescentou.

O BII apontou que os analistas estão revisando para baixo as previsões de crescimento da economia da Europa e elevando as de inflação – e que o Banco Central Europeu ainda está mais otimista do que o mercado em geral.

Ações são melhores que renda fixa no momento

O BlackRock disse também que o impacto iminente sobre o crescimento da economia diminuiu os riscos de os bancos centrais pisarem no freio com muita força e aumentarem rapidamente as taxas de juros para conter a inflação.

“Os preços da energia agora estão conduzindo o crescimento, em vez de serem resultado dele. Isto aumenta a possibilidade de estagflação – algo que não estava na mesa antes por causa do forte ritmo de crescimento econômico”.

Em termos de investimentos, o BII diz ser melhor assumir riscos em ações de países desenvolvidos, dado que a perspectiva de inflação gera a possibilidade de juros reais negativos. Os resultados das empresas devem ser afetados pelo aumento nos preços da energia, mas a queda recente nos preços das ações destas companhias já refletiu isso, acrescentou.

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