A União Europeia até tentou, mas não conseguiu chegar a um acordo sobre a melhor forma de limitar o preço do gás natural na região.
A disparada no preço do combustível é um dos principais motivos para a onda de inflação que varre o bloco em 2022.
Em novembro do ano passado, o preço de referência do gás natural na Europa estava em torno de 45 euros por MWh (megawatt-hora). No entanto, começou a subir conforme aumentavam os receios de que a Rússia, principal fornecedora do combustível para o mercado europeu, invadiria a Ucrânia e que o conflito poderia afetar a oferta do produto.
Ao fim de janeiro deste ano, o preço já havia praticamente dobrado e, em março, poucas semanas após a invasão do território ucraniano pelos russos, chegou a 150 euros por MWh.
Em agosto, o gás natural bateu uma nova máxima, de aproximadamente 350 euros, após notícias de que o fluxo de combustível entre a Europa e a Rússia via um dos principais dutos que conecta as regiões havia cessado.
A alta no preço do gás natural causou problemas econômicos para a Europa e, principalmente, para a Alemanha, país onde 15% de toda a energia é gerada em usinas termelétricas a gás. O aumento nas tarifas de eletricidade teve efeito inflacionário sobre vários produtos, e foi um dos fatores por trás do início da alta de juros na região.
A solução encontrada pelas autoridades europeias foi montar um plano que impedisse o preço do gás natural de alcançar níveis proibitivos.
O projeto inicial previa limitar o preço do gás natural a 275 euros por MWh. O problema é que esse preço é muito alto em comparação ao observado nos últimos meses. A última vez em que o preço do gás natural superou este valor foi em agosto.
De lá para cá, os preços recuaram e mais recentemente passaram a flutuar perto de 120 euros.
Os ministros de Energia europeus tiveram uma reunião ontem para tratar do preço-limite, mas a fala do ministro grego Kostas Skrekas antes da reunião dava o tom de como seria a discussão.
Em entrevista à CNBC, ele disse que um teto de preço de 275 euros “não é um teto de preços”.
Sem um acordo na reunião de ontem, os ministros devem se reunir novamente em dezembro para discutir o assunto.
Por volta das 10h45, o preço do gás natural negociado no mercado futuro da ICE subia 0,2%, para 124 euros por MWh.