A receita das empresas prestadoras de serviços caiu 1,2% em outubro na comparação com o mês anterior, quando havia recuado 0,7%. Foi o segundo mês consecutivo de perdas, e o declínio foi bem maior que o esperado pelo mercado – as previsões eram de estabilidade a leve queda. Ainda assim, a melhora em áreas mais afetadas pela pandemia deixa espaço para otimismo.
Das cinco áreas do setor de serviços monitoradas pelo IBGE, quatro recuaram em outubro em relação ao mês anterior, com destaque para serviços de informação e comunicação (-1,6%). Outra atividade que puxou o índice para baixo foi a de outros serviços, com queda de 6,7%.
“Esta é uma atividade muito heterogênea e nesse mês foi impactada principalmente pela menor receita das empresas que atuam na pós-colheita, fazendo beneficiamento de produtos agrícolas, e, também, pela queda em corretoras de títulos e valores mobiliários”, disse Rodrigo Lobo, o responsável pelo indicador sobre o setor de serviços no IBGE.
Nas atividades que haviam sido mais prejudicadas pelas restrições decorrentes da pandemia de covid-19, no entanto, a recuperação da receita continuou. Os serviços prestados às famílias cresceram 2,7% entre setembro e outubro e acumulam alta de 57,3% nos últimos sete meses.
“Essa foi a atividade que mais sofreu nos meses agudos da pandemia, pois contempla os serviços de caráter presencial. Pouco a pouco, com o avanço da vacinação e aumento da mobilidade das pessoas, os serviços de alojamento e alimentação foram crescendo, mas, ainda assim, é o setor que se encontra mais distante do patamar pré-pandemia, estando 13,6% abaixo do patamar de fevereiro de 2020”, disse Lobo.
Setor tropeça, mas deve crescer
O economista Yihao Lin, da Genial Investimentos, disse que as prestadoras de serviço estão sendo prejudicadas pela inflação elevada, que reduz o poder de compra e o consumo. Soma-se a isso a perspectiva de juros cada vez maiores no Brasil, que também é negativa.
“Isso tem efeitos diretos na economia. Acaba tendo efeito direto na atividade econômica, encarecendo o crédito e fazendo com que haja menos consumo tanto de bens como de serviços”, afirmou.
Mesmo assim, considera que há espaço para otimismo em relação ao setor de serviços, principalmente nas áreas que serão beneficiadas pelo arrefecimento dos receios com a pandemia e a maior circulação de pessoas.
“No ano que vem o setor de serviços vai ser o principal driver de crescimento, assim como o de agropecuária. Se os segmentos [de serviços] que ainda estão abaixo do nível pré-pandemia se normalizarem, a gente crê o setor tenha algo em torno de 3% para avançar”, afirmou.